terça-feira, 4 de junho de 2013

A estrutura do livro de Deuteronômio e sua relação com o Decálogo

Acerca do livro de Deuteronômio, podemos entender que, primeiramente, o nome do livro de Deuteronômio, ou “segunda lei”, sugere sua natureza e propósito.
Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém.
Além disso, quanto à ênfase na pessoa de Deus, percebemos sua fidelidade ao cumprir suas promessas; já no plano para estabelecer seu reino, percebemos a reorganização do reino para a vida em Canaã. Em linhas gerais, é o registro da renovação da aliança feita no monte Sinai. Este pacto é renovado, estendido, ampliado e ratificado nas planícies de Moabe.
Conclui-se, com isso que, não significa se tratar de uma mera repetição do que ficou dito anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os adapta.
Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado. Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma a legislação – lei civil: regulava a vida cotidiana de Israel (Deuteronômio 24.10 e 11) – que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria em breve.
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência.
Diante deles está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além. Acompanha-os Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante suas experiências no Sinai, península deserta e escarpada. Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou uma aliança com ele. O Senhor exige devoção e adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo.
Mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa.
O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz, convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis divinas a força diretriz de suas vidas.
Esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.
Através do livro todo, acentua-se a fé somada a obediência. Em um sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.

sábado, 1 de junho de 2013

Tema teológico do Pentateuco


A primeira parte do Antigo Testamento recebe o nome de Pentateuco, do greco-latino pentateuchus “(o livro guardado) em cinco vasos”. As designações: “Livro de Moisés” (II Crônicas 25.4). “Livro da Lei de Moisés” (Neemias 8.1). “Livro da Lei do Senhor” (II Crônicas 17.9), ou, simplesmente, “Lei do Senhor” (II Crônicas 35.26), com efeito, remetem ao Pentateuco e ilustram o seu valor devidamente reconhecido pelo povo hebreu.
O Pentateuco é determinado por um entrelaçamento estreito entre narrativas e mandamentos. Contudo, entende-se que o termo Pentateuco designa-se o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Em sua forma atual, o Pentateuco apresenta-se como um andaime, formado por narrações históricas e leis. Assim, a aliança é o elo teológico do Pentateuco (o sinal desta marca é a circuncisão dos judeus).
Os judeus chamam o Pentateuco de Torá, um termo hebraico que normalmente é traduzido por “lei”, mas significa bem mais, pode também ser traduzido por “ensinamento” ou “instrução”, revela de imediato o seu propósito: educar o povo de Israel acerca de sua identidade, sua história, seu papel entre as nações da Terra e seu futuro. E, portanto, o grande tema do Pentateuco é o da reconciliação e da restauração.
No Pentateuco há três tipos de lei:

  •   Lei cerimonial – relacionada à adoração de Israel (Levítico 1.1-13).
  •   Lei civil – regulava a vida cotidiana de Israel (Deuteronômio 24.10 e 11)
  •   Lei moral – é constituída pelos mandamentos diretos de Deus, por exemplo, os dez mandamentos (Êxodo 20.1-17).


Por isso, conclui-se que o Pentateuco é o cânon hebraico mais importante. O mesmo é dividido em duas grandes partes, são elas:

1º parte: Gênesis 1 – 11 (introdução para o resto do Pentateuco). Aqui se relata os cosmos; criação; queda; torre de Babel; dilúvio.

2º parte: Gênesis 12 – Deuteronômio 34. O chamado de Abraão e a aliança que Deus estabeleceu com ele; chamado de Isaque e Jacó; o plano que Deus tinha com José no Egito; o nascimento de Moisés; a saída do povo do Egito; o percurso no deserto; a entrega dos dez mandamentos; o tabernáculo; as leis;

Ao analisarmos a Tora percebemos seus temas:

Gênesis: É o primeiro livro do Pentateuco e é conhecida como sementeira da bíblia, pois contém as sementes de todas as grandes doutrinas. São elas:

1.      Começo do universo material (Gn 1.1-25)
2.      Começo da raça humana (Gn 1.26; capítulo 2)
3.      Começo do pecado humano (Gn 3.1-7)
4.      Começo das revelações da redenção (Gn 3.1-7)
5.      Começo da civilização humana (Gn 4.16; capítulo 4)
6.      Começo das nações do mundo (Gn 10)
7.      Começo da raça hebraica (Gn 12-50)

 Gênesis pode ser descrito com exatidão como o livro dos inícios. Quanto à ênfase na pessoa de Deus, percebemos sua soberania sobre a criação, o homem e as nações; já no plano para estabelecer seu reino, notamos a necessidade e preparação do regulamento do reino de Deus.
Pode, entretanto, ser dividido em duas porções principais.  A primeira parte diz respeito à história da humanidade primitiva (caps. 1-11).  A segunda parte trata da história do povo específico que Deus escolheu como Seu, próprio, para si (caps.12-50). O livro de Gênesis salienta, por todas as suas páginas, a desmerecida graça de Deus.
 Por ocasião da criação do mundo, a graça se exibe na maravilhosa provisão preparada por Deus para as Suas Criaturas. Na criação do homem, a graça de Deus se manifesta no fato que ao homem foi concedida até mesmo a semelhança com Deus. A Graça de Deus se evidencia até mesmo no dilúvio. Abraão foi escolhido, não por merecimento, mas antes, devido ao fato de Deus ser cheio de graça. Em todos os seus contatos com os patriarcas Deus exibe grande misericórdia: sempre recebem muito mais favor do que qualquer deles poderia ter merecido.
Há, assim, outra importante característica do livro de Gênesis que não se pode esquecer, a saber, o modo eminentemente satisfatório pelo qual responde nossas perguntas sobre as origens. O homem sempre haverá de querer saber como o mundo veio à existência. Além disso, sente bem dolorosamente o fato de que alguma grande desordem caiu sobre o mundo, e gostaria de saber qual a sua natureza; em suma, preocupa-se em saber como o pecado e todas as suas tremendas consequências sobrevieram. E, finalmente, o homem precisa saber se existe alguma esperança básica e certa de redenção para este mundo e seus habitantes de que consiste essa esperança, e como veio a ser posse do homem.

Êxodo: Neste livro encontramos o conhecimento de Deus por meio da experiência pessoal. É, também, conhecido como coração do Pentateuco. Quanto à ênfase na pessoa de Deus, percebemos seu poder para julgar o pecado e redimir seu povo; já no plano para estabelecer seu reino, ressaltamos a inauguração e legislação do reino.

Assim, tem como grande tema o Tabernáculo (tenda real, ou seja, glória do Senhor vindo sobre a terra), o Deus que habita no meio do povo – conhecimento pessoal do homem com Deus. Dessa forma, Ele se revela através de seus atributos: soberania, santidade, seu poder de operar sinais e maravilhas, sua justiça e compaixão.
Em suma, Assim como Gênesis é o livro dos começos, Êxodo é o livro da redenção. O livramento dos israelitas oprimidos do Egito da severidade da escravidão no Egito por Faraó; assim, exigiam a preparação do libertador Moisés (2.1-4.31). A luta com o opressor (5:1-11.0) culmina com a partida (grego, êxodo ou saída) dos hebreus do Egito.
São remidos pelo sangue do cordeiro pascoal (12.1-28) e pelo poder de Deus manifestado na travessia do mar Vermelho (13.1-14.31). A experiência da redenção, festejada mediante o cântico triunfal dos redimidos (15.1-21), é seguida pela prova que têm de enfrentar no deserto (15.22-18.27). No monte Sinai, a nação redimida aceita a lei (19.1-31.18). O não depender da graça conduz a infração e à condenação (32.1-34.35). Contudo, triunfa a graça de Deus ao ser dado ao povo o tabernáculo, o sacerdócio e os sacrifícios, mediante os quais o povo redimido podia adorar o Redentor e ter comunhão com Ele (36.1-40.38).


Levítico: Neste livro, Moisés desenvolve a legislação que começou a ser dado em Êxodo; tais ordens foram dadas aos pés do Sinai; seu grande tema é a Santidade. Assim, encontra-se a expansão da lei da aliança com o propósito de santidade entre o povo de Deus, já que Ele viveria em seu meio (tabernáculo). Encontramos, assim, normas para o sacrifício. Neste, Deus requer santidade de seu povo em sua vida cotidiana. Por fim, o tema é repleto de falas divinas; apenas nos capítulos 8.1 – 10-20 e 24.10-23 que relatam acontecimentos.

Números: Este dá sequência à caminhada que teve início em Êxodo, tendo um mês se passado entre o fim de Êxodo e o começo de Números. Desta forma, há a provação e purificação do povo de Deus na peregrinação pelo deserto do Sinai. Tal livro é dividido em duas partes:

1º parte: capítulo 1 a 25 – (pecado e julgamento). Fala sobre a geração ingrata e que murmurava (prova e reprova do povo de Deus), mostrando, então, a dureza do povo de Israel, que já havia andado 38 anos no deserto. Nesta parte teve o primeiro censo; morte da primeira geração dos israelitas.

2º parte: capítulo 26 a 36 – (novo grupo e nova geração). Ocorre o segundo censo; momento de esperança – um tom de otimismo -, onde estão acampados nas campinas de Moabe. Este livro termina com esta marca de esperança, porém esta nova geração ainda não fora provada.


Deuteronômio: Este livro é tido como resumo de Êxodo e Números. Aqui encontramos a renovação da aliança e uma segunda entrega da lei como preparativo para a entrada na terra da promessa pela segunda geração do povo de Deus.