quarta-feira, 30 de julho de 2014

Em quais perspectivas a Educação Cristã pode ser caracterizada como Formal, Informal e Intencional?







“Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda, ensina ao justo, e ele crescerá em prudência”.
Provérbios 9.9

“Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

Romanos 15.4


À priori, devemos entender educação– de uma criança, jovem ou de um adulto –, de modo geral, como um desafio constante e que isto enfrenta a necessidade de readaptações e a assimilação de novos instrumentos para interagir com seu tempo e seu meio.
Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: Educação é o ato ou processo de educar(-se). Educar é dar (a alguém) todos os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento de sua personalidade. Educar é também transmitir, a saber: dar ensino a, instruir. Educação é a aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano; pedagogia, didática, ensino. O conjunto desses métodos: pedagogia, instrução, ensino. O desenvolvimento metódico de uma faculdade, de um sentido, de um órgão. Ex: da memória, do paladar, do intestino. O conhecimento e observação dos costumes da vida social; civilidade, delicadeza, polidez, cortesia.
De tal maneira, deve-se praticar uma pedagogia na qual a capacidade didática e o talento do educador aliados ao seu conhecimento técnico e maturidade profissional são os ingredientes fundamentais para que se estabeleça uma aliança de aprendizagem nesse ideário de ensino libertador e “potencializador” de um ser humano.
Não diferentemente podemos implantar tais pontos positivos na Educação Cristã, pois, entende-se ser um conjunto amplo referente ao processo de desenvolvimento da personalidade, tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o meio social onde vive.
Sendo, em suma, a sociedade uma instituição social – incluindo-se, de certa forma, modalidade de influencias e relações que convergem para a formação do indivíduo, seja nos traços de personalidade social ou no caráter. E, contudo, poderíamos resumir que educação é um processo contínuo, que se desenvolve a vida inteira, independentemente de ambiente escolar.
Agora, levando em conta a Educação Cristã, poderíamos dizer que ela vai muito além da escola – como estrutura física, do plano de aula, currículo e dos materiais didáticos.
 A educação cristã consiste em construir o conhecimento, levando os aprendizes a serem ativos participantes no processo educacional, ao invés de meros ouvintes passivos. Assim como Jesus realizara em seu ministério, onde levara as pessoas a pensarem – formador de pensamentos. Como diz o ditado: Não dê o peixe, mas ensine a pescar.
Assim, o ensino é muito mais do que apenas depositar conhecimento no cérebro do aluno, levando a memorizar dados – Paulo Freire chama esta prática de modo pejorativo: educação bancária.
A educação cristã, por sua vez, tem como objetivos proporcionar o desenvolvimento do indivíduo como um todo e lhe oferecer condições de crescer em sua vida espiritual, no conhecimento de Deus e das Escrituras.
Esse crescimento trabalha com os aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais de uma pessoa. Podemos, entretanto, citar o próprio Jesus, pois a Bíblia nos relata que: “crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52).
Em fim, a prática educativa é um fenômeno social e universal. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. Refere-se ao processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os capacita a atuar no meio social onde vivem.
Com isso, entendemos que tais práticas educativas, cristã, ou não, podem ser: formal, informal e intencional.
Intencional, ao qual se entende como influencias; intenção e objetivos definidos conscientemente. Neste envolve métodos, técnicas, lugares e condições específicas prévias criadas para gerar ideias, conhecimentos, atitudes e comportamentos. Tal forma educacional é dividida em: Formal, pois podemos sistematizá-la, a fim de que seja ordenada e planejada (realizada, no caso de educação cristã, na igreja). Não formal, como por exemplo, educação estruturada fora do sistema escolar convencional (em nosso caso, fora da igreja, em retiros, nos lares, etc.).
Por conseguinte, a educação cristã somente cumpre sua missão quando olha para o indivíduo de forma integral e tendo como objetivo alcançar maturidade como cristãos, para que possamos fazer a diferença onde estivermos e aonde formos – sendo, em todo o tempo, o sal da terra e a luz do mundo.


A Educação Cristã segundo a Bíblia

Aqui iremos citar o livro de Deuteronômio, o qual fora escrito por Moisés, após a peregrinação no deserto, ao qual também faz parte do Pentateuco.
É sabido que a primeira geração de judeus, que saíra do Egito, tinha morrido, e agora uma geração nova, cuja maior parte não tinha lembrança da primeira páscoa, da travessia do Mar Vermelho, nem da lei do monte Sinai iria tomar posse da terra prometida.
Assim, Moisés repete o relato da história recente de Israel, e escreve novamente a aliança de Deus, os dez mandamentos, as promessas de benção e maldição, para que o livro fosse lido para o povo.
Este se tornou, de certa forma, um documento da aliança de Deus com o homem. Este trecho das escrituras era um daqueles que eram escritos em pergaminhos, e colocados em caixinhas que eram amarrados nos braços e colocado na testa pelos escribas e fariseus, num cumprimento literal do mandamento.
Mas, realmente, o que Deus queria não era tal atitude, mas que fosse cumprido o que mandara que coração aberto e sincero. Por outro lado, tornaram-no um amuleto.
Este é o Shemá (Deuteronômio 6:4-9)

[4] Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.

[5] Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda atua força.

[6] Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;

[7] tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

[8] Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos.

[9] E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.



Em fim, a “base teológica” da a educação cristã, nos mostra que a educação está no centro da missão da igreja:

– passar adiante os preceitos divinos
– relação pessoal de quem ensina com Deus
– relacionamentos interpessoais dentro e fora de casa.

A palavra hebraica traduzida aqui por inculcar (ou ensinar, intimar) é lamad, e é uma palavra de grande abrangência, e representa muito bem o processo de ensino e aprendizagem que Deus estabeleceu para os pais e filhos. Com isso podemos contextualizar esta expressão em:

1. “Cortar” a mente; é a ideia de uma navalha afiada formando um canal (sulco) na mente e produzindo por meio desta incisão um padrão de pensamento.

2. Formar um estilo de vida, ou uma maneira de viver.

Desta forma, temos aqui, portanto, dois aspectos: interno (número 1) e externo (número 2).
Por fim, fica-nos claro que necessitamos ensinar uma criança no caminho de Deus. Temos que considerar que a mente desta, em sua formação natural, deixada por si só, irá produzir padrões de pensamento pecaminosos – pois nascemos em pecado e em pecado fomos gerados.
Para que ensinemos uma criança biblicamente temos que cortar tais padrões de pensamento errados, e redirecioná-los à palavra divina.
E que ferramenta mais adequada há para cortar, e produzir este estilo de vida do que a palavra de Deus? Porque esta é como uma espada, ao qual é capaz de cortar, aniquilar, os padrões errados e estabelece novos (Hb 4:12):

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.