sábado, 30 de maio de 2015

Como o estudo de gêneros literários específicos da Bíblia produzem maior clareza na ministração de mensagens bíblicas?



 Primeiramente, gostaria de resumir o que vem a ser gêneros literários: Trata-se de uma categoria de composição literária. A classificação das obras literárias pode ser feita de acordo com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, etc. Além disso, podemos ressaltar que este pode ser apresentado em verso ou prosa.
A narrativa é um estilo muito utilizado como gênero literário bíblico. O estudo do mesmo, para nós, nos trás grandes benefícios, pois produzem clareza na ministração de mensagens bíblicas, assim como estudos, etc.
Com isso, fica-nos claro dizer que a narrativa é o gênero mais comum da Bíblia. Um terço de toda a Bíblia é composto de narrativas.
Desta forma, estende-se por narrativa, em linhas gerais, trata-se de contar uma história real (ou fictícia). O fato narrado apresenta uma sequência de ações envolvendo personagens em determinado espaço e tempo.
Vale ressaltar que, quanto às narrativas bíblicas, elas foram devidamente escritas para descrever o relacionamento de Deus com seu povo – especialmente em termos da aliança.
Tais narrativas são documentos que incentivam à fé e ao conhecimento de Deus, através do relato de seus atos soberanos, bem como da resposta do povo à revelação de Deus.
Desta forma, o papel, primordial, das narrativas não são de relatar a história de forma imparcial, destacando os principais fatos históricos, como ocorre na historiografia moderna. Mas, sim, escreve sobre o propósito soberano de Deus para com seu povo. O narrador escolhe cuidadosamente eventos que venham confirmar os termos da aliança e a necessidade de fidelidade por parte do povo. Lendo as narrativas dessa maneira, teremos maior proveito e maiores condições de aplicá-las de forma contemporânea.
Consequentemente, erros hermenêuticos serão evitados se: levarmos em conta o contexto onde o texto está inserido; descobrirmos quais são os temas dominantes nas narrativas; reconhecermos que Deus é sempre o principal personagem das narrativas; não procurarmos transformar os comportamentos dos personagens ou os acontecimentos em regras, princípios e mandamentos válidos automaticamente para os cristãos;
Em suma, as narrativas descrevem o que aconteceu e não, necessariamente, o que deveria  ter acontecido – evite hipóteses e deduções, foque no acontecimento mencionada. Os exemplos só devem ser seguidos quando o contexto maior da Bíblia confirmar sua legitimidade. Os acontecimentos não precisam se repetir, mas podem-se encontrar princípios confirmados em outros lugares das Escrituras.
Outro elemento importante é que se detém aos textos proféticos. Assim, considerando a abundância de textos proféticos na Bíblia, a correta interpretação de profecias é extremamente necessária. Somente a partir da correta interpretação, estaremos em condições de aplicar a mensagem dos profetas para nós hoje. Para isso devemos: aplicar os princípios de interpretação histórica, gramatical e contextual ao texto; descobrir a quem (ou a que) a passagem se refere; observar se a passagem é didática (a principal tarefa dos profetas era chamar o povo de Deus de volta para a aliança) ou preditiva (observe se há condições para o seu cumprimento); descobrir se a profecia é única ou progressiva; identifique se a profecia é direta ou tipológica; levar em conta a linguagem figurativa e simbólica que caracteriza uma boa parte das profecias.
Por fim, quanto aos textos proféticos, devemos ressaltar que toda a bíblia se refere a Jesus, como revelação máxima de Deus. Tal princípio é fundamental para uma correta interpretação de profecias. Ainda que os profetas falassem à sua época, eles exerciam um papel mais importante de registrar a revelação progressiva do plano de redenção de Deus em Cristo.
Além das narrativas e profecias, também temos a literatura poética e de sabedoria, entre outras.
Ressaltaremos, por fim, a interpretação de poesia bíblia, o qual não é uma tarefa fácil. Sua linguagem altamente figurativa, sua literatura condicionada por um tempo específico da história, seus propósitos na cultura do povo da época e sua aplicação para nós são grandes desafios. Contudo, devemos nos ater a observar os recursos literários que são comumente usados na poesia (parelelismo, concisão ou laconismo na forma e figuras de linguagem).

Por conseguinte, os estudos dos gêneros bíblicos (feitos de forma adequada) são de suma importância para que se evite interpretações incoerentes (que apresentam achismo). Leve em consideração o texto por inteiro, não partes dele (texto fora do contexto é pretexto para heresia). Perceba o contexto ao qual o texto está inserido. Além disso, para não acontecer erros, convém, também, deixar-se guiar pelo pensamento do escritor, e tomar as palavras no sentido em que o conjunto do versículo indica, não o que o leitor acha – o “achismo” deve ser deixado totalmente de lado. E, contudo, devemos entender a importância de interpretar a bíblia corretamente, porque é a única regra de fé e prática de nós cristãos. Assim, há necessidade de uma hermenêutica correta, sem divergências (ressaltando o estudo de gêneros literários específicos da bíblia).

terça-feira, 26 de maio de 2015

Análise Exegética de Lucas 18.35; 19.10



Tivemos a oportunidade de fazer uma aproximação exegética parecida em Mc 10.35-52.
O texto de Lucas apresenta outra delimitação e outro tema central. Lá, em Marcos, os discípulos de Jesus não conseguiam ver quais as prioridades do Reino. E no texto de Lucas, a cegueira os remete a quê?
Para responder a esta pergunta, será necessária uma análise acurada, principalmente, no contexto onde as perícopes estão inseridas.

Vemos em Lucas que Jesus tinha como alvo final ir à Jerusalém. E por que ele iria para lá? Poderíamos dizer que, assim como aquela caravana que passava (multidão) Lc 18.36, Jesus também estivesse indo para a festa da Páscoa.
Porém, passaria antes em Jericó. E neste ínterim a caminho de Jerusalém ocorre dois eventos:

1.      No caminho que levava para a cidade de Jericó: Jesus é surpreendido por um cego que sabia quem ele era, pois se dirige a ele como Filho de Davi, diferentemente da multidão que o conhecia apenas como “o nazareno”. Pela sua fé o cego foi curado de sua cegueira física.

2.      Dentro da cidade de Jericó: Jesus é surpreendido por um publicano que se encontrava em uma árvore o qual se arrepende de suas más obras sendo assim curado de sua cegueira espiritual.

O interessante aqui, quanto ao cego de Jericó, é que ele não se mostrou cético. Todavia, creu imediatamente que Jesus era o único que podia fazer algo por ele, até mesmo o que ninguém mais podia: restaurar-lhe a vista. O ceticismo é trevas, e os céticos vivem nas trevas, onde a iluminação e a ajuda divina são abafadas. O ceticismo é uma enfermidade da alma, o qual tal cego não possuía.
O cego, ao proclamar “Filho de Davi”, demonstrava visão espiritual – embora tivesse perdido física. Este é um dos títulos messiânico de Jesus, o qual também assevera ser ele descendente de Davi. Este é o único incidente, em Marcos e Lucas, no qual Jesus recebe tal título.
Quanto a Zaqueu, percebemos que era o inverso daquele cego, pois era rico e tinha uma posição de destaque – publicano; porém, era tão desprezado pelas pessoas quanto o cego. Este também queria ver quem era Jesus, embora enxergasse com olhos naturais, sua alma era cega, e necessitava enxergar a Cristo.


Percepções nos textos



Cego:  Apenas fisicamente cego, porém espiritualmente sã, pois sabia quem era Jesus.

Multidão: apesar se serem sã fisicamente eram cegos espirituais, pois não sabiam quem era Jesus, pois o tratavam apenas como Jesus o nazareno.

Zaqueu: Ele é curado de sua cegueira espiritual, pois se arrependeu de seus pecados, e com isso restituiria as pessoas quatro vezes mais que ele se aproveitou.


Percepções do Paralelismo


Desta forma, podemos ver as oposições entre as duas principais pessoas em cada narrativa.

Pessoa
Nome
Profissão
Características
Posição
Lugar
Local
Um cego
Não tinha nome
Não tinha profissão

Cego

Pobre
Fora da cidade
Sentado no caminho

Um Publicano

Zaqueu
Um dos mais  Importantes dos  Publicanos

Enxergava

Rico

Dentro da cidade

No alto de uma árvore
Fica-nos claro que, embora o cego fosse miserável financeiramente, porém era rico espiritualmente. Já Zaqueu era rico financeiramente, porém miserável espiritualmente. Nota-se uma clara divergência entre ambos os personagens bíblicos.
Um ponto em comum, ambos eram desprezados pelo povo, devido as suas posições: cego e publicano.
Porém, o encontro com Jesus trouxe-lhes mudança: o cego recebeu uma benção física, enquanto Zaqueu uma benção espiritual.

Aplicação pessoal


Entendemos com estes textos bíblicos que, realmente, temos que clamar e suplicar à Deus sobre nossos problemas e dificuldades.
Necessitamos ser persistentes, independentemente das dificuldades ao nosso redor. Assim como o cego fora, ao ouvir a multidão e crendo, não sendo cético, que Jesus poderia curá-lo. De igual forma Zaqueu, ao qual mesmo pequeno fisicamente, subiu em uma árvore e tornou-se alto, podendo avistar a Cristo. Devemos exercitar nossa fé, em todo o tempo, em todas as adversidades que passamos e que viremos a passar.
Temos que ter fé, crendo que Ele é poderoso para nos salvar da nossa condição e dos nossos problemas. Temos que nos arrepender de nossas atitudes pecaminosas tendo assim uma mudança de atitude por completo.
Precisamos sair de nosso local de conforto e comodidade e ir até ao encontro de Deus. Não nos importando com as circunstancias do adversas, não olhando para o problema, pois cremos que Deus nos dá capacidade e inteligência (ferramentas) para clamarmos, para buscarmos a cura.
Em suma, o Cego utilizou a voz para clamar, e Zaqueu subiu numa árvore para ver Jesus – estas foram as ferramentas utilizadas por eles. Enfim, qual é a nossa ferramenta?  

 









Conclusão



            Por fim, vemos a atitude do cego de reconhecer a Jesus como Filho de Davi e, isto nos remete a percebermos que o cego enxergava espiritualmente, pois diferentemente da multidão que reconhecia Jesus apenas como “o nazareno”. Mostra-nos a fé e a revelação do Espírito Santo.
Porém, apesar de parecer que esses eram dois eventos distintos, eles tinham um mesmo fim comum, e o fechamento da primeira história não acaba no versículo 43 do capitulo 18, mas sim finaliza juntamente com a segunda história no versículo 10 do capitulo 19, onde Jesus diz: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.
Pois, tanto o cego quanto Zaqueu estavam na condição de perdidos, necessitando de salvação, apesar de estarem em posições distintas; o cego precisava de salvação física, enquanto Zaqueu necessitava de salvação espiritual.


“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).