sexta-feira, 7 de julho de 2017

A justificação pela fé



Em Gálatas (3.1-4.31), o apostolo Paulo defende a ideia da graça – assim, com base na vida do patriarca Abraão, pai dos fiéis (Gl 3.6-18), procurou provar aos cristãos a autoridade do sistema da graça, como a fé autêntica de Cristo.
Desta maneira, baseando-se no AT, apontando, contudo, a vida de Abraão – o qual vivera antes da outorga da lei – Paulo defende e aponta a “justificação pela fé” (Rm 3.24,28).
Enfim, Paulo outorga a fé que Abraão tinha, o qual servira de alicerce para a sua obediência e, também que, em face desse alicerce, ele foi aceito por Deus, e não porque Abraão merecesse – salvação não meritória. Desta feita, ninguém pode participar do pacto abraamico, sem participar também da fé que este tinha. Assim, a lei na antiga aliança servia para definir o pecado com maior exatidão, mas não podia tomar lugar da espiritualidade genuína, o qual só pode vir por intermédio da fé – que é dom de Deus.  
Desta feita, conforme apresentado a nós, através da História da Redenção, encontrados nas sagradas escrituras, desde o começo Deus se relacionou com indivíduos e suas famílias. Como fora aprendido, o reino de Deus, como uma forma distinta e separada dos reinos do mundo, primeiro se manifestou, provisória e instrumentalmente, em Israel; depois, de forma mais ampla, universal, o reino de Deus finalmente manifestou-se na Igreja.
Desta feita, a aliança de Deus com Abraão não fora de abandonada; ao contrário, pela virtude da fidelidade e poder de Deus somente, a aliança foi levada ao seu pleno cumprimento. Porém, não podemos ignorar que esta aliança fora estabelecida e anunciada muito antes de Abraão e já havia redimido uma multidão inumerável. Entretanto, podemos concluir que a aliança de salvação das gerações de Abraão, Isaque e Jacó, não é diferente da Aliança da salvação das gerações que vieram depois (Gn 15.5-6; Ex 20.6; At 2.38-39).
Voltando a falar da visão paulina, de forma direta, Paulo desconstrói a ideia de que a salvação era única e exclusivamente para o povo judeu (Gl 3.7), sendo esta para todos os eleitos – os quais passaram pelo caminho da regeneração e foram justificados por Cristo, através da fé.
Em suma, Cristo morreu pelos eleitos, por pessoas, não por um povo em especial. Então, para Paulo, quem seriam os filhos de Abraão? A resposta é bem simples, “os da fé”, os cristãos eleitos por Deus, desde a fundação do mundo, o qual o precioso sangue de Cristo lavou pela regeneração dos pecados.
De certa forma, esta justificação nos confere a retidão divina, implantada e cultivada pelo Espírito Santo, primeiramente em forma de uma declaração forense, mas, em seguida, realizada como fato vivo. Somos moralmente transformados (Rm 3.28). Em outras palavras, a justificação é um ato de Deus e ocorre de uma vez por todos (somos justificados apenas uma vez, diferentemente da santificação que deve ocorrer sempre, até sermos totalmente transformados, tendo um novo corpo). Ela, a justificação, baseia-se sobre a missão de Cristo, incluindo seu ato expiatório (Rm 3.24). Além disso, verifica-se totalmente à revelia dos méritos humanos, como aqueles adquiridos pela obediência à lei mosaica (Rm 8.28). A justificação também é o começo para a santificação, e a semente da glorificação (Rm 5.18). Desse modo, a própria forma de vida divina é proporcionada aos homens (Jo 5.25,26).
Devemos salientar que a carta de Paulo aos Romanos tem como tese: A Justificação pela fé. Desta feita, o justo é salvo pela fé. Esta fé que liga a regeneração a justificação. Ou seja, Paulo (na carta aos Romanos) inicia o texto com uma declaração concisa sobre os três pilares do Evangelho:

ü  Primeiro, o evangelho revela a justiça de Deus savífica e poderosa.
ü  Segundo, a justiça de Deus torna-se eficaz somente pela fé e, portanto, está disponível a todos, judeus e gentios.
ü  Terceiro, esta forma de entender a justiça de Deus é coerente com as Escrituras.

O PANO DE FUNDO DA JUSTIFICAÇÃO: toda humanidade é culpável aos olhos de Deus (Rm. 1.18-3:20). E, enfim, somos justificados pela fé em Jesus Cristo (Rm 3-23 e 24). “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”.
Em linhas gerais, a Justificação é escatológica e forense. Aliás, há a necessidade da justificação: Deus é o juiz (Gn 18.25; Dt 25.1). Deus justifica o ímpio e mantém sua justiça (Rm 4.5; 3.26). Com isso, a justificação é uma antecipação do fim dos tempos (Rm 8.33; Rm 5.9), sendo uma declaração legal a partir do sacrifício de Jesus (2Co 3.9; 2Co 5.21; Rm 3.21-26). Enfim, a justificação é somente pela fé (Rm 5.1)

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. (...). Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo sangue, seremos por ele salvo da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5.1,9 e 10).

Desta forma, a reconciliação é um ato de Deus, desfazendo a inimizade, é um presente a ser recebido. Somos, então, adotados por Ele. Assim, tornamo-nos uma nova criatura. Já a Santificação é Interior – nesta vida nunca chegaremos a perfeição total, mas devemos continuar aperfeiçoando-nos em Cristo, para ser como nosso Senhor, santo e justo.



Por fim, o justo não é um ser santo e perfeito, imune ao pecado (Pv 24:16). De igual forma, Isaías declarou que toda a justiça humana é considerada trapo de imundícia (Is 64:6), ou seja, diante do Senhor, ninguém possui qualquer elemento capaz de habilitá-lo a receber tal designação. Jesus, pelo contrário, foi o único homem essencialmente justo que viveu nesta terra. Como afirma o autor aos Hebreus 4:15, que em tudo fora tentado, mas sem pecado. Assim, seu sacrifício vicário e substitutivo em favor dos seus eleitos garantiu-lhes a regeneração e, assim, pode haver a fé, a qual os levam a serem justificados perante Deus.
Enfim, ao crermos em Jesus, Deus imputa a nós a sua justiça, declarando-nos justos diante dele. Ele é tanto juiz justo, quanto o único que pode nos declarar justos; ele é nosso justificador (Rm 3:26). Embora ninguém possa ser considerado justo (Rm 3:10-12), muitos servos de Deus receberam esta alcunha, pois foram declarados inocentes pelo supremo Juiz. Lembremos, por fim, que a salvação é dom de Deus.
Contudo, ao depararmos, então, com os escritos de Habacuque 2.4, onde lemos que “o justo viverá pela fé”, eleva infinitamente a maneira como as palavras citadas são usadas aqui. Assim, para Paulo, o crente é aquele que tem a fé correta no tocante a Cristo, o qual vive para Cristo, ou seja, a participação na vida de Deus, produzindo uma verdadeira vida de santidade. Além disso, esse viver tem sentido escatológico, ou seja, relaciona-se
à existência futura, nos lugares celestiais, na vida eterna.
Porém, ao estudarmos os capítulos 8 e 9 de Mateus, a fé em Jesus Cristo é indicada como o necessário meio de salvação; tal verdade não se dá apenas pelas diversas vezes em que a fé é mencionada em conexão com as curas (as quais tipificam a salvação), mas também pela afirmação explícita de Jesus: “a tua fé te salvou” (9.22).
Em João 1.12-14 fala-nos do “dom da filiação”, remetendo a ideia de não precisar, propriamente dito, ser descendente de sangue de Abraão (ser judeu), mas sim como um dom gratuito e sobrenatural da parte de Deus, mediante uma nova vida implantada neles pelo Espirito Santo (isto pode ser evidenciado no capitulo 3 – entrevista de Jesus com Nicodemos).

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.  (João 1:13)

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação e da renovação do Espirito Santo (...) Para que, sendo justificados pela graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”.  (Tito 3:5 e 7)

Por conseguinte, como já fora mencionado anteriormente, a doutrina da justificação pela fé é mais desenvolvida no Evangelho de João e principalmente nas cartas apostólicas; porém, seus fundamentos foram lançados tanto no AT quanto também nos Evangelhos sinóticos.



quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Sermão do Monte - O Caráter dos Cidadãos do Reino



A priori podemos ressaltar que, ao preferir as palavras no “Sermão do Monte”, em suma, traria algo de grande importância a nós – crentes em Cristo Jesus, nosso Salvador – que era o reino do próprio Cristo. Desta forma, tal reino requeria uma nova lei, bem como um novo legislador, e em Jesus e suas palavras encontramos ambas as coisas.
Contudo, é nós permitido observar que tal mensagem dirigia-se ao Novo Israel (nós – a igreja comprada pelo sangue de Cristo, eleita, predestinada e justificada) e não ao antigo Israel (como muitos ainda defendem – pois Deus trata com pessoas, as elegem e não se prende a povos – contudo, Jesus morreu pelos eleitos, não apenas por um povo – portanto, rejeitamos aqui o ensinamento hiperdispensacional, que atribui esse primeiro discurso a “Israel” ou adia sua aplicação até o milênio.
Assim, tal discurso visa à conduta cristã ideal; contudo, notamos que a igreja cristã é o Novo Israel. Sherman Johnson afirma que até esse ponto da narrativa, Jesus chamara apenas quatro discípulos especiais, e aparentemente o discurso lhes foi dirigido; mas Mateus na realidade tinha em mira as multidões, e o sermão tem por escopo aplicar-se a todos os cristãos. Ao lermos, enfim, o Sermão do Monte, que se encontra a partir do capítulo 5:1 – 7:29 do evangelho de Mateus, percebemos que o maior interesse deste estava centralizado na vida espiritual e moral da comunidade cristã; assim, a natureza do evangelho de Mateus não era “legalista”, “eclesiástico” ou “judaico”.
Em suma, essa vida espiritual vivida pela igreja e Cristo deve ser de nível mais elevado do que a vida evidenciada por alguns representantes do judaísmo (preso às tradições), em outras palavras, a justiça cristã deve ultrapassar a dos “escribas e fariseus” (5;20), sendo esta mais profética do que rabínica.
Enfim, ao compararmos a subida de Jesus ao monte (onde diria lago que transcenderia a vida comum dos homens, os quais estavam acostumados a viver) o qual outorga de seu mandamento, por igual modo, Moisés recebeu a lei em um monte (Êxodo 19 – 20). Cristo, assim, apresenta aos homens o caminho da vida.
Por fim, podemos afirmar que o evangelho de Mateus é o evangelho dos logois (logoi") ou ensinamentos. Tais ensinamentos são de suma importância para os cristãos através dos séculos. Assim, Cristo nos apresenta a nova lei (Capítulos 5 – 7 de Mateus, intitulado como Sermão do Monte), os conceitos do reino, instruções aos herdeiros do reino.
Desta forma, entendemos, pois, que o Sermão da Montanha é “o evangelho do reino” (Mateus 4:23).
Segundo Paul Earnhart, em seu livro O Sermão da Montanha, tal evidência deveria servir para esclarecer duas coisas: Primeiro: que ele não é meramente a exposição da lei e, segundo, que suas bênçãos e princípios éticos não são atingíveis pelos não convertidos. Este é um sermão para os “cidadãos do reino”. A salvação, e não a reconstrução social, é seu alvo e os homens de sabedoria mundana estão destinados a jamais entendê-lo. Desta forma, o Sermão da Montanha permanece como uma explanação da verdadeira natureza do “reino de Deus”.

É um sermão proferido na História e serve para responder às questões que, naturalmente, seriam levantadas pelo anúncio em Israel do iminente aparecimento do reino (Mateus 3:1; 4:17). Mais ainda, o caráter totalmente inesperado do pregador e o acirrado conflito entre Jesus e os fariseus estavam para provocar ainda maior preocupação entre aqueles que primeiro ouviram o grito: “Está próximo o reino dos céus!” O discurso de Jesus na encosta de um monte galileu não é, na realidade, um mero sermão. Ele mais se aproxima de um manifesto do reino de Deus.


Contudo, podemos ressaltar agora as Bem-Aventuranças (Mateus 5:2-12), que é o caráter dos cristãos do reino. Desta forma, o sermão do Monte fora aberto com tais afirmações, por parte de Cristo, sobre “bem-aventurado...” (do grego: makario"), ou seja, “feliz...”; porém, tal felicidade proferida por Jesus não se aplicava a realidade humana e egoísta, mas a uma esfera totalmente espiritual. Enfim, Deste modo, Jesus captura a atenção de seus ouvintes e insiste no caráter essencial do reino de Deus e seus cidadãos.
Ainda nas palavras de Paul Earnhart, percebemos que o mundo todo, então como agora, estava em busca, diligentemente, da felicidade e tinha tampouco uma concepção de com o obtê-la, como os homens de hoje. Não houve surpresa no anúncio de que havia verdadeira bem-aventurança no reino. O choque veio com o tipo de povo que estava destinado a obtê-la.
Desta forma, podemos destacar que a riqueza material, condição social e sabedoria secular não recebem simplesmente pouca atenção apenas, mas elas não recebem atenção nenhuma. Jesus está claramente esboçando um reino que não é deste mundo (João 18:36), um reino cujas fronteiras não passam através de terras e cidades, mas através dos corações humanos (Lucas 17:20-24). Este reino, totalmente improvável chegou, conforme anunciado, no primeiro século (Marcos 9:1; Colossenses 1:13; Apocalipse 1:9), porém muitos estavam despreparados para reconhecê-lo e aceitá-lo, assim como estão hoje.

Deve ser notado, ainda mais, que as qualidades do cidadão do reino não somente eram espirituais, mas são virtudes que o homem não receberia naturalmente. Elas não são o produto da hereditariedade ou do ambiente, mas da escolha. Ninguém, jamais, "cai" displicentemente nestas categorias. Elas não acontecem no homem naturalmente, e são de fato distintamente contrárias à "segunda natureza" que o orgulho e a ambição têm feito prevalecer nos corações de toda a humanidade.


Contudo, ao nos depararmos com tais Mandamentos (leis) para o reino, de igual forma há, em nosso país, normas de cunho moral e ético, os quais devemos seguir – sendo que este não venha contra os princípios registrados nas sagradas escrituras, pois a bíblia é a regra de fé e conduta do cristão genuíno.
Assim, o decálogo afirma que não devemos matar (Êxodo 20:12), conforme está previsto por lei em nosso país; porém, falando da lei de nosso país acerca disso, o Código Penal estabelece pena de 6 a 20 anos de reclusão para o ato de ‘matar alguém’– Art. 121 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40 – Daí não se deduz que o homicídio seja proibido no Brasil. Tanto não é que ocorre às dezenas de milhares todo ano. Nações avançadas conseguem diminuir bastante sua incidência, mas jamais erradicá-lo. Porém, segundo a visão da ‘lei humana’, somos livres até para ‘fazer o mal’, eis um fato da nossa condição. A distinção entre criminalizar e proibir pode ser útil para debater assuntos que dividem moralmente a sociedade, como as drogas e o aborto. Quando a lei fixa penas para o aborto, ressalvando casos de risco de vida para a mãe e de gravidez provocada por estupro, o seu objetivo é refrear a prática. O efeito esperado é menos mulheres recorrendo ao aborto, no cotejo com uma situação hipotética em que ele não fosse crime. Avaliar a eficácia da lei é um desafio lógico e estatístico, pois jamais saberemos como se comportaria a mesma sociedade, no mesmo tempo histórico, mas sob legislação diversa. E por que a lei brasileira não proíbe? A resposta é porque ela sabe que é impossível proibir alguém de agir em todos os momentos de sua vida. Porém, notamos, por fim, que a lei humana não proíbe, mas se fizer algo errado poderá pagar, ou não, por tal feito. Já a lei de Deus é diferente, pois além de proibir, também, nós – por sermos responsáveis (embora Deus seja soberano) – pagaremos por nossos erros.
Em suma, falando ainda sobre os Dez Mandamentos, Moisés – um tipo de Cristo – era o mediador entre Deus e o povo. Assim, antes do Eterno exigir que o povo guardasse tais regras, lembrou-lhes o seu relacionamento e as suas bênçãos. Desta forma, tal atitude deu ao povo de Deus o necessário incentivo para cumprir o seu comprometimento. Porém, vale ressaltar que nós jamais poderíamos cumprir o decálogo por completo, pois pecamos em pensamento, palavras e obras; desta forma, ao olharmos às leis (mandamentos) enxergávamos nossa própria deficiência e vida pecaminosa. Desta feita, Jesus foi aquele que cumprira a lei por completo, em nosso lugar. Cristo afirma: “Não vim para revogar, vim para cumprir” (Mateus 5:17-18). Jesus prefacia sua discussão da justiça do reino com um poderoso repúdio. Ele não veio, diz enfaticamente, para destruir a lei e os profetas. Assim, os fariseus, como um partido, representavam os mais dedicados defensores da lei, na nação de Israel. Desta forma, enquanto os saduceus se ocupavam com a política do Templo, os fariseus estudavam e ensinavam a lei do ponto de vista da tradição de seus pais. Porém, na mente de muitos da comunidade judaica, a lei de Moisés e as tradições dos fariseus eram idênticas. Teria sido causa de não pequena ansiedade entre o povo ver Jesus enfrentar continuamente esses professores instituídos da aliança nacional.
Por conseguinte, a atitude de Jesus para com as escrituras do Velho Testamento agora se torna inequivocamente clara. Porque elas eram as palavras de seu Pai, longe de serem abolidas ou subvertidas, elas são para serem cumpridas até a última minúcia e, ainda mais significativamente, ele estava para cumpri-las! Três grandes verdades emergem aqui. Jesus se prende inseparavelmente ao Deus do Velho Testamento. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é também o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus também confirma sua absoluta confiança na integridade de cada palavra dos escritos do Velho Testamento. Eles são as palavras de Deus e qualquer um que quisesse ser seu discípulo deve ter o mesmo e elevado ponto de vista das Escrituras (Lucas 24:25-27; João 10:35). E então, ali, emerge pela primeira vez, no sermão, a espantosa grandeza do pregador. Ele há de ser o cumprimento do plano eterno de Deus, a consumação dos séculos, o ponto final de toda a História. Este não é um mero tratado ético. O sermão é grande, mas o pregador é maior ainda.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Quais são a semelhanças e diferenças entre os conceitos de Igreja de Cristo e Reino de Deus?


A Igreja de Cristo é composta de todos aqueles que foram eleitos por Deus, desde a fundação do mundo e são o corpo de Cristo (Ef 1:4-14; 1 Co 12: 12-31).

“Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:16-18).

Ou seja, aqui Cristo estava se referindo a Simão Pedro, filho de Jonas, o qual é apontado por “feliz” (do grego: makarios, bem-aventurado), pois este recebera uma revelação direta de Deus, através do Espírito Santo.
O vocábulo “eu” é enfático aqui, apontando para a autoridade de Cristo, o Filho do homem e o Filho do Deus vivo. Assim, a “pedra” é a confissão de Pedro sobre o Cristo, sendo a própria revelação. E, desta forma, a igreja está edificada nesta revelação, que vem de Deus, através da ação do Espírito Santo. Portanto, a “pedra” é a fé que procede da confissão; essa fé é a pedra sobre a qual a igreja foi fundada.
Há, porém aqueles que defendem a posição a qual afirma que Jesus usou um jogo de palavras (que há no grego como petros, ou pedrinha, fragmento de uma rocha). Cristo, entretanto, é a rocha maciça (petra), sobre a qual está edificada a igreja. Há outras mais interpretações acerca desta passagem, porém ficaremos apenas nessas duas. Lembrando que a Igreja Católica Romana usou tal passagem para criar uma grande heresia (sendo Pedro o primeiro papa, vigário de Deus).
Em Efésios 2:20-22 encontramos: “edificados sobre os fundamentos dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para o santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”. O texto mostra que este edifício é a igreja de Cristo, e, sendo assim, somente Cristo pode ser o fundamento dela (I Coríntios 3:11).
Assim, podemos lançar um questionamento acerca do tema igreja de Cristo e reino de Deus. Afinal, o que veio Jesus Cristo estabelecer na Terra, Igreja ou Reino? E quais as semelhanças, e diferenças, que há entre ambas?
Começaremos pela definição de reino de Deus. Portanto, em sentido mais amplo, compreendemos a total e absoluta soberania de Deus em relação a todos e tudo que Ele mesmo criou, governando e exercendo controle total, sobre tudo e todos (seja debaixo dos céus, seja debaixo da terra; seja sobre o reino invisível, seja sobre o reino visível). Entretanto, em sentido mais restrito, podemos apontar para o reino de Deus de forma mais soteriológico e escatológico. Em suma, a Obra da Redenção (Salvação) estabelece este reino soteriológico e escatológico, que já se manifesta, mas ainda não alcançou a sua plenitude (O reino de Deus já e ainda não; o qual já se revelou ao homem, porém não em sua plenitude).
Quanto a palavra igreja (do grego: ekklesia - a qual tem seu significado por assembleia reunida regularmente para propósitos civis), era usada para se referir à congregação dos filhos de Deus, na Septuaginta para a congregação de Israel.
Enfim, no Novo Testamento a Palavra “igreja” é usada para se referir à reunião, congregação, dos crentes em Jesus Cristo, não somente reunidos em um determinado momento, mas unidos como corpo de Cristo. Desta forma, ela designa um aspecto muito específico e de tão grande importância no Reino de Deus, que algumas vezes pode até ser confundido ou mesclado com o próprio conceito de Reino. A palavra “igreja” designa as pessoas, famílias e nações que constituem este Reino, soteriológico e escatológico, de Deus.
Ou seja, a igreja faz parte do reino, sendo parte do reino; em outras palavras, igreja é o povo que constitui o Reino de Deus, mas a palavra também comporta algumas outras significações, sempre relacionadas à ideia principal de Igreja como povo de Deus, sendo, porém, em seu sentido mais amplo a totalidade do povo que Deus redimiu em Jesus Cristo, do princípio ao fim da História da Redenção, sendo aqueles o qual estão espalhado entre as nações, em distinção da Igreja que está nos Céus, aguardando a sua ressurreição e retorno com Jesus Cristo, para seu reinado visível na Terra; estes, por sua vez, podem também ser apontados como aqueles que se reúnem regularmente para a pregação da Palavra de Deus e celebração apropriadamente da Santa Ceia, sendo, por sua vez, batizados em nome de Jesus Cristo, guardam o Dia do Senhor, cultuam, participam da santa ceia etc.

Por conseguinte, a Igreja é o Reino “Invisível”, pois Jesus Cristo – que é o rei – está invisível; sua pátria e cidade são celestiais – estão por vir, sendo novos céus e nova terra; sua armadura é espiritual; seu poder é o Espírito Santo; sua maior herança é o Senhor.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Existência pré-encarnada de Jesus Cristo




A priori, quando nos referimos a existência pré-encarnada de Jesus Cristo logo vem à mente a passagem do Apóstolo João (Jo 1:1-3) o qual é rico em seu relato, sendo direto e, ao mesmo tempo, profundo – refutando a ideia clássica greco-romana do “logos” (do grego, traduzido por: palavra, ou em algumas versões por “verbo”).

“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”. (NVI)


Tal passagem faz referência direta à Gênesis 1:26, que diz:

“Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.

Há teólogos, que entendem tal verbo no plural “façamos”, como plural de majestade; porém, em minha interpretação, assim também apoiado por muitos outros teólogos, entendem se tratar da prova da trindade – conforme fora empregado por Tertuliano (pai da igreja) no ano 190 AD – no momento da criação, dando a entender que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo participaram de tal feito – sendo uma prova da existência pré-encarnada de Jesus Cristo, o qual João faz menção logo na abertura de seu evangelho.
Em suma, entendemos que Jesus existia antes de nascer como homem (nascido da virgem Maria, gerado pelo Espírito Santo – conforme os evangelhos apontam em: Mt 1:18-24; Mc 1:1; Lc 2:1-40), antes mesmo até da criação do tempo, do mundo, do homem.
João ainda continua descrevendo sobre Cristo (logos) – Jo 1:14, que diz:

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade”.

Prosseguindo mais um pouco nas escrituras, encontramos o apóstolo Paulo declarando a pré-existência de Cristo em Colossenses 1:15-20, que diz:

 “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele [em Cristo] foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é o cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nela habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz”.

Nessa passagem fica mais do que claro a ideia da pré-existência de Jesus, assim afirmado por João, e agora reafirmado por Paulo.
Por conseguinte, podemos apontar evidências da pré-existência de Cristo em:

ü  Seu nascimento – Se Cristo veio a existir em seu nascimento, então, não existe uma Trindade eterna – e isso iria contra a doutrina bíblica que é o cerne do Cristianismo;

ü  Sua divindade – Se Cristo não era preexistente, então, não poderia ser Deus – seria uma criatura, não o Deus Filho (tal pensamento fora visto pelos gnósticos e outras seitas pagãs que surgiram ainda no meio da igreja primitiva, muito criticado por Paulo e Pedro);

ü  Suas declarações – Se Cristo não era preexistente, ele mentiu a respeito de quem ele era e, consequentemente, possivelmente teria mentido também sobre outros assuntos; assim, estaríamos condenados, pois não haveria salvação para nossos pecados e os apóstolos teriam morrido por uma mentira, assim como os pais da igreja, mártires etc., além do próprio Cristo de ter morrido, supostamente, por uma mentira;

ü  Sua origem celestial – Versículos se referem à existência de Cristo antes do nascimento (Jo 3:13,31);

ü  Sua obra na criação – Cristo estava envolvido na obra da criação, sendo anterior a ela (Jo 1:3; Cl 1.16; Hb 1:2);

ü  Seu relacionamento com Deus – A Bíblia afirma que Jesus tem a mesma natureza de Deus (Jo 10:30; Fp 2:6) e que possuiu a mesma glória do Deus Pai antes de o mundo existir (Jo 17:5);

ü Seu relacionamento com João Batista – João Batista reconhece a existência de Jesus antes de ele vir a existir, mesmo tendo ele nascido antes do Jesus encarnado (Jo 1.15,30).

terça-feira, 26 de julho de 2016

Como o conhecimento de Deus influência a obra missionária da igreja?





Primeiro: Quem são os missionários?

Partindo da premissa de que cada Cristão é um missionário, percebemos a importância do corpo de Cristo em se aprofundar nos estudo da santa palavra. Tal afirmação é feita não por nós meramente, mas sim por Cristo – o cabeça da Igreja. Esta foi a última grande ordenança de Jesus aos seus discípulos (uma dos mais importantes- a grande comissão), ao qual pode ser encontrado em Mateus 28:19–20.

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Assim, nas palavras de Ronaldo Lidório:

“Missão é um movimento salvífico e kerygmático, que parte do coração e da volição de Deus, revelado nas Escrituras, na qual o Evangelho é prometido, no Messias, a todas as pessoas de todos os povos espalhados pelo mundo. Portanto, é um movimento de Deus. Eu poderia dizer que tem como principais elementos: (1) O sacrifício do Cordeiro, o qual “com o seu sangue resgatou para Deus homens que procedem de toda língua, tribo, povo e nação”; (2) O dunamis do Espírito derramado sobre a igreja em Atos, que a capacita para comunicar a Palavra revelada; (3) O amor do Pai que, a cada dia, tenta nos dizer que uma alma vale mais do que o mundo inteiro; (4) A ação da igreja como comunidade propagadora desta mensagem que salva a todo aquele que crê. O cerne da obra missionária, portanto, não é a visão do mundo, mas a ação de Deus”.

Segundo: Como conhecemos a Deus?


Para nós, cristãos, é muito importante conhecer a Deus – e porque não dizer essencial. Mas, na verdade, como isso é possível? Poderíamos ressaltar, mediante a palavra divina, alguns aspectos fundamentais.

“Portanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou”. 
Romanos 1:19 

“Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir”.

Salmos 139:6

“Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo. Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra”.
Oséias 6:3

Deus é eterno e sabendo que nós somos limitados só revela o que podemos entender; mas não entender não significa não acreditar. Contudo, nós só conhecemos aquilo que Deus manifestou. Ele está acima da nossa compreensão; com isso, o processo deve ser contínuo – conhecer e prosseguir em conhecer a Deus.
Em suma, para conhecer a Deus devemos, insaciavelmente, ter a busca de informação com o intelecto, com a leitura da Palavra (Dn 9:2; Sl 1:2; Sl 27:4). Através da oração, também, podemos nos comunicar com Deus (Dn 9: 3; 1 Tes 5:17). E, por fim, o conhecemos através de nossas experiências diárias – com Deus em nosso viver (2 Tm 3:11,12). Tudo, em nossa vida, é resultado de nossas atitudes. As consequências vai ser a resposta da nossa escolha de viver ou não com Deus.

Terceiro: Como o conhecimento de Deus influência a obra missionária da igreja?

Quando aceitamos a Jesus, e nos achegamos a Ele, passamos a experimentar mais de sua visão Divina em nossas vidas. De tal forma, ao andarmos com o Mestre, sentimo-nos transformados. Devemos, então, conhece-lo, para que possamos ser, com Ele, parecido. Como seremos missionários de um Deus que nem conhecemos? Haveria alguma coisa errada, não é? Por isso temos o dever de seguir e prosseguir em conhece-lo, como já fora mencionado anteriormente (Os 6:3). E, contudo, não pregarmos de um Deus que ouvimos falar, mas de um Deus que anda ao nosso lado, que conhecemos e por Ele somos conhecidos (Jo 10.14).
Assim é a caminhada cristã - a pregação do Evangelho a este mundo que está perdido – e tal é uma prioridade no coração do Senhor (grande comissão). Ele mesmo afirmou que o campo é o mundo e que nós somos a luz do mundo. Logo, qualquer visão menor do que o mundo não é visão de Deus.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Exegese de Deuteronômio


1. Introdução

Deuteronômio – “Os Últimos Discursos de Moisés no Deserto” – consiste em uma série de mensagens de despedida pronunciada pelo líder de Israel, quando este estava com 120 anos.
Ele os dirigiu à nova geração destinada a possuir a Terra da Promessa – aqueles que sobreviveram aos 40 anos de peregrinação no deserto.
Como nos é sabido, de igual forma a Levítico, Deuteronômio contém um vasto volume de detalhes legais, sua ênfase, por sua vez, é posta mais nos leigos do que nos sacerdotes.
Moisés, desta forma, lembra à nova geração a importância da obediência, se porventura eles tivessem disposição de aprender a partir do triste exemplo de seus pais. As palavras iniciais de Moisés à nova geração são dadas de forma oral e escrita, de modo que durem por todas as gerações.
Enfim, o livro de Deuteronômio tem sido chamado de “O Quinto [livro] da Lei”, visto que completa os cinco livros de Moisés.
O povo judeu o tem também denominado Mishneh Hattorah (“Repetição da Lei”), o que é traduzido na Septuaginta como to deuteronomion touto (“Esta Segunda Lei”).
Entretanto, Deuteronômio não é uma segunda lei, mas a adaptação e expansão de grande parte da lei original dada no monte Sinai. O título português provém do título grego deuteronomion (“Segunda Lei”). Deuteronômio tem sido também chamado com muita propriedade de o “Livro de Memória”.157

2. Título

Quanto ao Título em português do livro de Deuteronômio parece basear-se na tradução errada que a LXX faz da frase, "um traslado desta lei" (17: 18), deuteronomion touto, também, podemos aplicar-lhe a tradução de: “segunda lei” ou “repetição da lei”.
O título judeu, deveirim, “palavras”, vem do costume de usar as palavras introdutórias do livro por título.
Desta forma, o livro de Deuteronômio começa com a declaração, "São estas as palavras que Moisés falou" (1:1a).
Considerando, assim, que os antigos tratados de suserania começavam exatamente assim, o título judeu chama a atenção para uma das pistas que identificam o caráter literário deste livro.

3. Ocasião Histórica

Apenas dentro da estrutura da administração da aliança redentora de Deus é que o Deuteronômio pode ser adequadamente interpretado. As promessas concedidas aos patriarcas, final e inteiramente realizadas em Cristo, tiveram um cumprimento provisional e típico nas alianças em que Moisés serviu de mediador para Israel. Na aliança do Sinai estabeleceu-se a teocracia, com Moisés no papel de representante terreno da realeza do Senhor sobre Israel. Então, depois que a rebelde geração do êxodo pereceu no deserto e a morte do próprio Moisés era iminente, foi necessário renovar a aliança com a segunda geração. O ato central, decisivo da cerimônia foi a consagração do povo-servo por meio de um juramento ao seu divino Senhor. Particularmente, o reino de Deus simbolicamente representado na dinastia terrena e mediadora, tinha de ser confirmado levando Israel a declarar que obedeceria a Josué na qualidade de sucessor de Moisés nesta dinastia. Parte do procedimento padrão seguido no Oriente Próximo da antiguidade, quando os grandes reis faziam alianças com os povos vassalos, era a preparação de um texto da cerimônia, incluindo o tratado e a testemunha. O livro de Deuteronômio é o documento preparado por Moisés na qualidade de testemunha na aliança dinástica que o Senhor fez com Israel nas planícies de Moabe. 
Em suma, a origem de Deuteronômio é de significado crucial nos estudos que a alta crítica moderna faz do Pentateuco e, também, nos estudos da literatura e teologia do Velho Testamento em geral. De acordo com a antiga Hipótese Evolucionária, o Deuteronômio originou-se no Sétimo Século A.C. e foi a base da reforma de Josias.

4. Os Métodos da Crítica

Em linhas gerais, o uso de métodos críticos para estudar o AT começou com a obra de Jean Astruc, médico do rei francês Luís XV. Em 1753, Astruc desenvolveu um método que, segundo sua opinião, conseguia separar com sucesso todas as diferentes fontes por trás de Gênesis. Ele usou sua descoberta para defender a autoria mosaica do livro.
Nos anos posteriores, porém, os resultados da aplicação dos métodos críticos muitas vezes foram usados como prova contra uma visão ortodoxa das Escrituras. Assim, na mente de muitos, crítica significa julgamento condenatório. Algumas pessoas muitas vezes recuam ante o uso de métodos críticos alegando que é impróprio ou mesmo blasfematório colocar-se como juiz sobre as Escrituras. Entretanto, o significado real do adjetivo crítico não é condenatório, mas analítico. Os vários ramos do método crítico, embora usados às vezes de maneira negativa ou destrutiva, podem proporcionar novos discernimentos da mensagem de Deus para nós hoje. Examinaremos os quatro principais métodos críticos na ordem em que começaram a ser usados.

4.1. A Crítica da Fonte

A crítica da fonte se originou e se desenvolveu tendo como centro de atenção o Pentateuco, os primeiros cinco livros do AT. Estudiosos desenvolveram critérios pelos quais as fontes originais do Pentateuco poderiam ser separadas umas das outras. Julius Wellhausen, estudioso alemão, que publicou sua principal obra na década de 1880, representa esse tipo de crítica da fonte. Wellhausen achava que podia distinguir quatro fontes a que chamou fontes Javista (J), Eloísta (E), Deuteronomista (D) e Sacerdotal (P). Argumentou que essas fontes foram produzidas por escolas de pensamento diferentes, às vezes conflitantes, em diferentes épocas. De acordo com esse esquema, os livros do Pentateuco só foram completados bem mais tarde na história do AT, centenas de anos depois de Moisés.

4.2. A Crítica da Forma

O interesse em tipos de literatura (gênero) foi reavivado no começo do século XX, principalmente por meio da obra do estudioso alemão Hermann Gunkel. Ele sentia que a crítica da fonte era inútil e suplementou-a com o estudo da forma (categoria literária) do texto. Aplicou seu método principalmente a Salmos e Gênesis. Outros, em especial Hugo Gressmann, aluno de Gunkel, e Sigmund Mowinckel, estudioso escandinavo, levaram as idéias dele ainda mais longe. Explicando de modo simples, a abordagem de Gunkel tinha como centro a identificação do tipo de texto que ele estava estudando. Em Salmos, por exemplo, os dois tipos principais eram hinos e elegias. Estas expressavam um clima triste, muitas vezes de arrependimento, e caracterizavam-se por linguagem usada em luto (“ai”, “ah!”). Gunkel tinha convicção de que, como um detetive, poderia trabalhar retrospectivamente a partir de um texto escrito e, passando por incontáveis versões, chegar ao material oral de origem. Achava também que cada tipo de literatura foi determinado por novos relatos feitos num contexto ou situação particular na vida da comunidade.
Assim, a crítica da forma rendeu grandes benefícios para os estudos do Pentateuco. Desta forma, o livro de Deuteronômio é padronizado segundo os textos clássicos hititas de tratado entre soberano e vassalo.

4.3. A Crítica da Redação

A crítica da forma tendia a fragmentar um texto por examinar passagens isoladas. A crítica da redação corrige os perigosos efeitos colaterais de uma análise segundo o método da crítica da forma.
A crítica da redação focaliza o que é distintivo de uma obra específica de literatura (Gênesis, Deuteronômio). Pergunta que interesses teológicos motivaram o redator (editor) bíblico a juntar dados tradicionais isolados.
A crítica da redação, no entanto, torna-se muito mais especulativa quando aplicada a livros sem paralelos.

4.4. A Abordagem Literária

Quanto aos Tipo de Literatura, é mais fácil compreender o AT quando sabemos que gênero literário estamos lendo em determinada passagem. Em nosso caso, estamos estudando o livro de Deuteronômio, sendo mais específico, o capítulo 8 deste livro.
Assim, para entendermos melhor, apontaremos o tipo de literatura empregada neste livro, o chamado: Leis — Há várias coleções de leis. As mais importantes são o Decálogo ou Dez Mandamentos (Êx 20:1-17; Dt 5:6-21), o Livro da Aliança (Êx 20:22—23:33), o código de santidade (Lv 17—26) e o livro de Deuteronômio, moldado em forma de sermões.




5. Síntese de Deuteronômio

Deuteronômio, em linhas gerais, é o registro da renovação da aliança feita no monte Sinai. Este pacto é renovado, estendido, ampliado e ratificado nas planícies de Moabe. Moisés faz isso basicamente a partir de três sermões partindo de um olhar retrospectivo do que Deus havia feito a Israel, passando para uma introspecção e, finalmente, para uma visão futura do modo de Deus tratar com Israel.  
Há, neste livro, o que chamamos de Fundamentos da Lei reafirmados (que vão do 5 ao 11).
Além disso, encontramos o que podemos chamar de segundo sermão de Moisés (4:44–26:19).
 Uma seção moral e legal para instruir que o futuro de Israel como nação em Canaã dependerá da correta relação com Deus.
Esses capítulos reveem três aspectos da Lei, mas ficaremos apenas na primeira, pois o alvo deste estudo é o capítulo 8: 
1)      Os testemunhos (5–11), em que são abordadas as responsabilidades morais – reafirmação e expansão dos Dez Mandamentos, com exortação à lembrança da graciosa libertação promovida por Deus. O quão o capítulo 8, que estudaremos mais a fundo, a frente, se enquadra.

5.1. O que passava em Deuteronômio 8

Deserto de Sim. Aqui receberam o Maná (cf. Dt 8:2-6). Nenhuma explicação humana resolve o problema da vinda do maná durante 40 anos, até que chegaram à terra e comeram o seu fruto. Enfim, encontramos a chamada lei do maná. 8:1-20.

5.2. O Grande Mandamento. 5:1 – 11:32

O primeiro e grande mandamento da aliança, a exigência de perfeita consagração ao Senhor, está enunciado nos capítulos 5-7, e reforçado por reivindicações e sanções divinas nos capítulos 8-11.
O que encontramos neste cap. 8, são as advertências contra a tentação da autonomia, quer na forma do espírito de autossuficiência.

5.3. Análise de Deuteronômio 8

A Lei do Maná (8:1-20)

 O ponto focal deste capítulo é o versículo 17, com o seu quadro de um Israel futuro repousando em Canaã, e congratulando-se consigo mesmo.
A lembrança da orientação providencial de Deus durante os quarenta anos no deserto forneceria o corretivo para tal vaidade. 1-6.

O versículo 1 é outro resumo introdutório das intimações e sanções da aliança.

2. No que se referia à geração sobrevivente, a peregrinação do deserto fora planejada como um período de exame para te provar – (v. 2b; cons. 13:3) e de instrução necessária. Fora uma disciplina paternal e contribuíra para suas bênçãos definitivas.
3. E te sustentou com o maná. O significado da humilhação de Israel, por Deus, é ilustrado pela referência à Sua extraordinária provisão de cada necessidade durante os quarenta anos, particularmente enviando o maná.
A humilhação consistiu da privação e então da provisão do "o que é isto?", o desconhecido, o sobrenatural pão do céu, que compeliu o povo a reconhecer sua dependência de Deus.
A moderna exegese naturalista identifica o maná bíblico com excreções de cochonilhas semelhantes ao mel encontradas em moitas de tamargueiras na região do Sinai. Seja qual for o papel explícito que foi ou não foi representado por essas excreções, o pão do céu era, nada mais nada menos que um produto claramente miraculoso em sua natureza e maneira de provisão. Mais ainda, uma simples mudança de um gênero de Deuteronômio (Comentário Bíblico Moody) alimento normal e apetitoso para outro, por mais exótico que fosse, jamais teria humilhado Israel nem lhe teria ensinado a verdade que o maná ensinou: não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, disso viverá o homem. Deus conduziu Israel a uma situação na qual a vida derivava e tinha de ser diariamente buscada no pão celestial, o fruto de um exercício criativo diário da palavra de Deus. Este era um lembrete eficiente de que a criatura não existe como um ser autossuficiente, sustentada pelos frutos de uma terra que também não existe e produz independentemente de Deus. Ele depende sempre e basicamente da palavra divina que deu vida a ele e ao seu mundo. Além disso, Deus propôs a ensinar a Israel que a vida do homem, diferentemente da vida animal, não consiste em apenas uma vitalidade física que o pão, quer terreno ou celestial, possa sustentar. Por isso ele providenciou o pão do céu de tal maneira que fosse necessária uma resposta ético-religiosa diante de Sua palavra preceptiva. Esta resposta foi apropriadamente focalizada sobre a guarda do sábado, o sinal da fidelidade do homem à aliança como também o lembrete do papel de Deus como Criador. Assim, o maná ensinou Israel que só quando o homem permanece obediente sob a palavra soberana do Senhor, a fonte máxima da vida, é que ele encontra vida verdadeira e duradoura.

7a. Boa terra. A lembrança da lição do deserto foi necessária a esta altura, pois Deus estava conduzindo Israel para dentro de uma terra onde os produtos normais da natureza proporcionariam um padrão de vida comparavelmente exuberante.

9b. Cujas pedras são ferro. No substrato de arenito da Palestina existem veios de cobre e ferro, e descobriram-se antigas minas onde esse arenito emerge à superfície no Arabá.

11. Guarda-te não te esqueças. Embora todos esses produtos naturais deviam ser gratamente aceitos como presentes de Deus, exatamente como o maná sobrenatural, a fartura e tranquilidade embotaria a percepção que Israel tinha de Deus. Deuteronômio (Comentário Bíblico Moody) e eleve o teu coração. O orgulho suprimiria as lembranças de dias mais humildes de escravidão, escorpiões e sede; dias quando o livramento e a sobrevivência exigiram a intervenção divina através de meios desconhecidos até então.
Eles deviam se precaver de negar assim o Senhor por causa da auto bajulação. A mesma verdade que tivera de ser aprendida antigamente quando os estômagos estavam vazios, seria relevante no futuro quando os estômagos estariam cheios: a fonte da vida do homem é a palavra de Deus – é ele o que te dá força. A beatitude de Israel devia-se somente à fidelidade divina ao seu juramento convencional. Ao mesmo tempo o Senhor interviria na vida daqueles que violassem a aliança com as maldições que eles invocassem.

20. Assim perecereis. Repudiar a eleição de ser propriedade peculiar do Senhor e identificar-se com os canaanitas anatematizados em sua iniquidade idólatra, resultaria na identificação de Israel com os pagãos e o seu destino.
6. Aplicação teológica para a vida prática da comunidade da fé

É muito rica esta passagem de Deuteronômio para nós, e para a comunidade de fé. Traz-nos a ideia de dependência de Deus, de fé, e de saber esperar por Sua grande provisão.
Podemos, desta forma, citar como texto correlato o Evangelho de Mateus 4:4, onde Jesus cita o versículo de Deuteronômio 8:3b, reafirmando uma verdade acerca da dependência divina.
Desta forma, Jesus foi muito enfático quanto a temática da confiança plena em Deus Pai, isso podemos conferir no Sermão do Monte (Mt 5), relembrando o Antigo Pacto e, trazendo-lhes o Novo Pacto, onde Ele, o Cristo, não viera abolir a mesma, mas, sim, cumpri-la de forma integral.
Assim como o povo passara pelo deserto 40 longos anos, isto por não terem dado ouvido à mensagem divina, muita das vezes nós também passamos por momentos similares, em época diferente.
Nós, seres humanos, tendemos a crer no visível, no palpável, não no sobrenatural, e racional. Da mesma forma, estavam também o povo hebreu, vivendo apenas do que podiam ver e tocar; não aguardando a provisão divina, não confiando que Deus daria o Maná, o qual sempre vinha, não tendo fé o bastante, isto mesmo andando tanto tempo com milagres diários, tais como suas roupas não envelhecerem, o mar se abrir, coluna de fogo à noite, nuvem durante o dia, etc.
Enfim, isto só nos prova o quanto o homem pode ser infiel e incrédulo, porém Deus continua fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.
Em suma, mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa. Assim, esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.
Assim, podemos citar outros textos bíblicos que nos dá a entender a ideia de dependência e descanso em Deus, além de fé e obediência; texto como o proferido por Jesus, no sermão do monte, a saber (Mt 6.25):
“Por isso vos digo: não andais cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?”.

Nesta passagem, Jesus não está dizendo que é errado o cristão tomar providências para suprir suas futuras necessidades materiais. O que Ele realmente reprova aqui é a ansiedade ou a preocupação angustiosa da pessoa, revelando sua falta de fé no cuidado e no amor paternal de Deus.
Devemos, acima de tudo, confiar no Senhor, quem confia não se preocupa com nada. Assim, depositando em Deus nossos cuidados e ansiedades. Nosso Pai Celeste tudo sabe.

“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós”.
(I Pedro 5.7)

Confia em Deus, descansa nelE. A bíblia não é mentirosa, antes é inerrante; nem o Senhor se esquece de realizar o que prometeu.
O cuidado que Deus tem conosco e com nossos problemas é tão grande que, nós, por sermos distraídos, não notamos muitas das vezes. Isso é verdade e é enfatizada pela Sua Palavra. Todos os nossos temores, cuidados e preocupações devem ser lançados sobre o Senhor.
Que possamos no dia de hoje proclamar com fé e determinação o que o Salmista Davi disse:

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”.
(Salmos 37.5)

Ou confiamos em Deus, ou não confiamos. Se realmente confiamos, então, devemos tudo entregar-lhe – tudo aquilo que nos perturba, que nos aflige e que tira nossa paz. Uma vez que entregamos na mão de Deus, não devemos nos perturbar ou nos afligir; se, acaso, isso ocorrer – que é normal, pois somos imperfeitos e pecadores – devemos pedir ao Pai, que é perfeito e cheio de amor, para nos ajudar.
Uma coisa que não devemos fazer é hora colocar não mão de Deus, hora tirar; isso impossibilita o trabalhar de Deus, não que o Senhor não possa fazer, mas porque nós nos afastamos de debaixo de sua potente mão. Com essa atitude demonstramos falta de confiança. Deus quer um coração puro e sincero para com Ele, além de determinação de nossa parte.
Quem realmente confia em Deus diz assim como está escrito em um dos salmos de Davi:

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?”
(Salmos 27.01)

O livro de Salmos é repleto de mensagens que relata a fidelidade de Deus para com seu filho e, também, a confiança deste por Deus.
O salmo 40 é prova de confiança, fidelidade e esperança.
Deus ouve a alma paciente. Devemos confiar e obedecer ao Senhor, pois obedecer é melhor que sacrificar.

“Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”.
(Salmos 40.1)

Ao confiarmos em Deus damos-lhe livre acesso em nossa vida, tendo o Senhor liberdade de trabalhar em nosso favor.
Só quem pode impedir o trabalhar de Deus, em nós, somos nós mesmos. Isto ocorre porque o Senhor é educado e não entra, nem trabalha, na vida de ninguém sem antes, o mesmo, permitir e desejar.

“Lança o teu cuidado sobre o Senhor e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado”.
(Salmos 55.22)

Quando, sob provações, que de tão pesados não podemos suportar, Deus nos convida a lançar sobre Ele nossos fardos e cuidados. Ele, então, conduz o peso juntamente conosco e nos sustém em todas as situações.

Jesus fez este mesmo convite em:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.
(Mateus 11.28-30)

Que convite tão generoso é este o de Jesus. Quem vai a Ele, e se torna seu servo, fazendo sua vontade, o amado Mestre o alivia de suas insuportáveis aflições, dando-lhe descanso, paz e seu Espírito Santo como guia.
Somente deste modo podemos suportar as provações e inquietações desta vida, com auxílio da graça de Deus.

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”.
(Hebreus 4.16)

Podemos chegar com confiança ao trono da graça celestial, sabendo que nossos pedidos e orações são ouvidos por Deus, porque Cristo se compadece das nossas fraquezas.
O significado “trono da graça” é: Lugar onde flui o amor, o socorro, o perdão, a misericórdia, o poder divino, o batismo com o Espírito Santo, os dons Espirituais, o fruto do Espírito Santo e tudo o que precisamos em todas as circunstâncias.
Uma das maiores bênçãos da Salvação é que Cristo, agora, é nosso sumo sacerdote, conduzindo-nos até a sua presença pessoal, de modo que sempre podermos buscar a ajuda de que carecemos.

Pedro afirma, como já citamos em I Pedro 5.7, que devemos nos humilhar diante de Deus, lançando toda e qualquer tipo de ansiedade, de medo, de desconfiança, pois sabemos que Ele cuida de tudo. O apóstolo Paulo exortou-nos a levar todas as nossas ansiedades a Deus em oração, com a promessa de que, assim, a paz de Deus guardará nossa mente e coração.

“E a paz de Deus, que excede entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”.
(Filipenses 4.7)

Ao invocarmos a Deus, com o coração posto em Jesus e na sua palavra, a paz de Deus transborda em nossa aflita alma. Esta paz é além do que nossa limitada mente humana pode imaginar. A mesma consiste em trazer refrigério e tranquilidade ao nosso interior; nisso consiste o Espírito Santo que venha transmitir em nós essa paz.
Quando colocamos diante de Deus, em oração, as nossas iniquidades, problemas, inquietações, essa mesma paz ficará como guarda à nossa porta – coração – e de nossa mente, para impedir que as angústias nos perturbem a vida e tire a esperança em Cristo.
Se, por algum motivo, o medo, ansiedade, angústia voltarem, novamente as orações, súplicas e ações de graça nos trarão a paz de Deus que guarda os nossos corações. Assim voltaremos a sentir segurança, e nos regozijaremos no Senhor.

Confiai em Deus, pois é somente desta forma que encontraremos a paz que tanto necessitamos, e o alívio para nossa alma; só assim o Senhor trabalhará em nosso favor.
Confiar em Deus é depositar nele nossas aflições.

Textos Bíblicos para Meditação:

Mateus 6.25-30; 11.28-30
Lucas 12.22-31

Que venhamos a ser pacientes e esperarmos que a boa obra de Deus se cumpra em nossas vidas, certos de que aquele que começou a boa obra não descansará até que a tenha terminado.
Continuamos nossa luta, porque Deus é conosco. Que possamos vir a romper em fé; e se o mar não se abrir, com certeza, passaremos por cima das águas.
O Senhor é tão maravilhoso e bondoso para conosco que jamais nos dará uma prova a qual nós não aguentaríamos. Se a prova está difícil, saiba que você não está sozinho; Deus está com você, ajudando-lhe, amparando-lhe e carregando, junto contigo, seu fardo. Veja com os olhos da fé o Senhor ao seu lado.
Saiba que Deus não chama os capacitados, mas capacita os chamados. Você é chamado do Senhor; tome, então, sua posição de valente de Deus; passe por cima das águas! Você pode; o Senhor lhe faz capaz!
Somos importantes para Deus para o Senhor, se assim não fosse o Senhor não teria dado seu único filho para morrer por nós.
No final, perceberemos que a luta, após findada, nos tornaremos mais fortes e saborearemos a vitória cantando louvores àquele que é fiel.
Que não venhamos andar ansiosos, pois a ansiedade se torna um bloqueio entre o milagre de Deus e nós.
Que possamos vir descansar, assim como o próprio Jesus descansou em meio a tempestade. Os discípulos com medo gritavam por socorro, mas o Mestre descansava. Ele descansava, pois sabia que Deus estava com Ele naquele barco. Que este acontecimento venha ser um ensinamento para nós. Devemos nos portar como Jesus se portou, sendo confiante a todo instante. (Lc 8.22-25; Mt 8.23-27; Mc 4.35-41). Neste texto bíblico, Jesus repreendeu aos discípulos:

“... porque temeis, homens de pequena fé?”.

Que venhamos ter muita fé – a fé que remove montanhas, a própria fé de Deus.
Se Deus habita em nosso ser deve, também, em nós habitar a Sua bendita fé. Somos a imagem de Deus; que essa verdade arda continuamente em nossos corações e mente, para sempre.

A fé que nos faz vencedor.
A fé que quebra as cadeias.
A fé que liberta os cativos.
A fé que cura os enfermos.
A fé que salva o pecador.
A fé de saber que, mesmo não tendo visto Jesus morto na cruz, Ele assim se deu por nós – nisto, acreditamos.
Esta mesma fé nos dá a certeza que Jesus voltará para nos buscar.

Não deixe o inimigo de nossas almas roubar a fé que em nós há.

“Entrega o teu caminho ao Senhor...”
“Espera com paciência no Senhor...”
Lança “... o teu cuidado no Senhor...”
Porque o Senhor é a luz e a força de nossa vida, e de nada e de ninguém devemos temer.

E se nos falta a fé, o que devemos fazer?

A palavra do Senhor diz que tudo que pedimos, crendo, receberemos. Mas, como pedir se, às vezes, falta-nos a fé necessária para alcançarmos a benção?

“Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos fé”.
(Lucas 17.5)

Essa é a chave da vitória! Devemos fazer conforme fizeram os apóstolos ao Senhor: “Acrescenta-nos fé”. Peça a Ele que aumente sua pequena fé.

Deus tem uma maneira para suprir a sua necessidade e resolver o seu problema. Esta maneira está fundamentada em sua fé que se torna semente. Quando você planta uma semente, Deus muda a natureza dessa semente, de modo que se torna uma planta, e o poder da vida surge naquela frágil planta jovem de tal maneira que nem um monte de terra pode impedi-la de crescer.

“... se tiveres fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível”.
(Mateus 17.20b).

A fé mesmo que pequena ou fraca para nós, ainda pode realizar o humanamente impossível. Este monte era uma figura para obstáculos, impedimentos ou problemas humanamente insuportáveis - nenhum dos quais era impossível para Deus lidar através de pessoas comprometidas que compreendiam exatamente a autoridade e conheciam o poder, vontade e provisão delE.

Jesus diz que nossa fé em Deus é como uma semente. Quando colocamos nossa fé em ação, ou seja, quando deixamos nas mãos de Deus, ela assume uma natureza totalmente nova. Assume a natureza de um milagre em desenvolvimento.
O que é um monte em sua vida? A solidão, a perda de um emprego, uma doença...? Crie coragem! Jesus mostra o caminho para remover esse monte.
Primeiramente, Deus diz que temos uma medida de fé.

“Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.
(Romanos 12.3)

Essa fé está dentro de você.

Em segundo lugar, Deus diz que sua fé surge ao se “ouvir... a palavra de Deus” (Rm 19.17). Por último, Deus diz que se pode aplicar a fé para atender suas necessidades diárias. Como? Faça algo como ato da sua fé. Semeie a pequenez da semente de mostarda de sua fé em um ato de amor (Mt 17.20).
Depois quando sua fé tiver sido plantada e estiver crescendo, fale com seu monte e observe Deus começar a cuidar da sua remoção.

Lembre-se que os milagres vêm pela fé no poder presente de Deus, e não por um ritual ou fórmula do esforço humano.
Assim, veremos a fé como uma gravidez. Desta forma, quando a mulher espera por um bebê. Ela fica imaginando como o mesmo será. Trazendo, em sua mente, a forma de um bebê que ainda ela não viu, que ainda não nasceu; mas mesmo assim, a mãe fica imaginando, sonhando com ele.
A fé também pode ser relacionada a uma gravidez, onde a mãe espera pacientemente o dia do parto. Desta forma, também, devemos nós ficarmos – pacientemente esperando o dia da vitória. Grávidos da benção que vai nascer. Felizes, pois sabemos que vai chegar o dia; sem dúvidas! Sonhando e imaginando a benção em nossas mãos.


7. Tradução e Breve Análise de Deuteronômio 8:1-6


אֲשֶׁר
ASHER
(conj. - que)
הַמִּצְוָה
HAMITSËVÅH
(verbo)
כָּל
KÅL
(todo)
תִּשְׁמְרוּן
TISHËMËRUN
(verbo)
הַיּוֹם
HAYOM
(adv. f./pl.
hoje)
מְצַוְּךָ
MËTSAVËKHA
(mandamento/lei
Junção de:
מ + צו + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª p. m./ ou f. sing.)
אָנֹכִי
ÅNOKHY
(pron. – eu)
וּרְבִיתֶם
URËVYTEM
(verbo)
תִּחְיוּן
TICHËYUN
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘AN
(conj. – para)
לַעֲשׂוֹת
LA‘ASOT
(verbo)
הָאָרֶץ
HÅ’ÅRETS
(a terra)
אֶת
’ET
(e)
וִירִשְׁתֶּם
VYRISHËTEM
(verbo)
וּבָאתֶם
UVÅ’TEM
(verbo)
לַאֲבֹתֵיכֶם
LA’AVOTEYKHEM
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
נִשְׁבַּע
NISHËBA
(verbo)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)

1. Todo o mandamento (lei) que hoje vos ordeno guardareis para o fazer: para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e herdais a terra que o Eterno jurou a vossos pais fartar-se.

Análise dos termos grifados:

* הַמִּצְוָה: Junção de ה + מצוה

Este é o verbo צוה conjugado no Presente, masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “ordenar”.

* תִּשְׁמְרוּן: Junção de תשמרו + ן 

Este é o verbo שמר conjugado no Futuro. 2ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que significa no infinitivo “guardar”.

* לַעֲשׂוֹת: Junção de Junção de: ל + עשות

Este é o verbo עש conjugado no Presente. Feminino plural, que no infinitivo significa “fazer”.

* תִּחְיוּן: Junção de תחיו + ן 

Este é o verbo חיה conjugado no Futuro, 2ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que no infinitivo significa “viver”.

* וּרְבִיתֶם: Junção de ו + רבית + ם 

Este é o verbo רבה conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “multiplicar”.

* וּבָאתֶם: Junção de ו + באת + ם 

Este é o verbo בא conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “entrar”.

* וִירִשְׁתֶּם: Junção de ו + ירשת + ם 

Este é o verbo ירש conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “herdar”.

* נִשְׁבַּע: Este é o verbo שבע conjugado no Futuro. 1ª Pessoa masculino ou feminino plural, que no infinitivo significa “fartar-se”

* לַאֲבֹתֵיכֶם: Junção de ל + אבתי + כם 

Este é o verbo אבן conjugado no Passado. 1ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal כם, que no infinitivo significa “jurar”.

  
כָּל
KÅL
(todo)
אֶת
’ET
(e)
וְזָכַרְתָּ
VËZÅKHARËTÅ
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
הֹלִיכֲךָ
HOLYKHAKHA
(costume/passo)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)
הַדֶּרֶךְ
HADEREKH
(o caminho)
שָׁנָה
SHÅNÅH
(anos)
אַרְבָּעִים
’ARËBÅYM
(numeral cardinal - 40)
זֶה
ZEH
(pron. – este(s), isto, isso)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(ser supremo)
לְנַסֹּתְךָ
LËNASOTËKHA
(verbo)
עַנֹּתְךָ
ANOTËKHA
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘NA
(conj. - para, para que, afim de, por causa de, por conta de)
בַּמִּדְבָּר
BAMIDËBÅR
(verbo)
בִּלְבָבְךָ
BILËVÅVËKHA
(no seu coração)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. – do que)
אֶת
’ET
(e)
לָדַעַת
LÅ‘DAAT
(compreensão)
אִם
‘IM
(conj. - se)
(מִצְוֹתָיו)
(MITSËOTÅYV)
מִצְוֹתוֹ
MITSËOTO
(mandamentos)
הֲתִשְׁמֹר
HATISHËMOR
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
2. E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o supremo Eterno te falou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, para compreensão do que estava no teu coração, se guardarias os mandamentos, ou não.

Análise dos termos grifados:

* וְזָכַרְתָּ: Junção de ו + זכרת

Este é o verbo זכר conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “lembrar”.

* בַּמִּדְבָּר: Junção de ב + מדבר 

Este é o verbo דבר conjugado no Presente. Masculino singular, que no infinitivo significa “falar”.
* עַנֹּתְךָ: Junção de ענת + ך

Este é o verbo ענן conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “humilhar”.

* לְנַסֹּתְךָ: verbo tentar.

* הֲתִשְׁמֹר: Junção de ה + תשמר

Este é o verbo שמר conjugado no Futuro. 2ª Pessoa masculino singular ou 3ª pessoa feminino singular


וַיַּאֲכִלְךָ
VAYAAKHILËKHA
(verbo)
וַיַּרְעִבֶךָ
VAYARËIVEKHA
(verbo)
וַיְעַנְּךָ
VAYËANËKHA
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)
הַמָּן
HAMÅN
(o maná)
אֶת
’ET
(e)
אֲבֹתֶיךָ
’AVOTEYKHA
(verbo)
יָדְעוּן
YÅDËUN
(verbo)
וְלֹא
VËL’O
(Junção de: 
  ו + לא
definitivamente não, de maneira nenhuma)
יָדַעְתָּ
YÅDA’ËTÅ
(conhecer)
לֹא
LO’
(não)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
הוֹדִעֲךָ
HODIAKHA
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘NA
 (conj. - para, para que, afim de, por causa de, por conta de)



יִחְיֶה
YCHËYEH
לְבַדּוֹ
LËVADO
הַלֶּחֶם
HALECHEM
עַל
‘AL
(prep. - sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
כָּל
KÅL
(todo)
עַל
‘AL
(prep. - sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
הָאָדָם
HÅ’ÅDÅM
(o homem)
יִחְיֶה
YCHËYEH
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
פִי
FIY
(boca do)
מוֹצָא
MOTSÅ’
(verbo)
הָאָדָם
HÅ’ÅDÅM
(o homem)

3. Humilhou-te, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram: para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do Eterno viverá o homem.

Análise dos termos grifados:

* וַיְעַנְּךָ: Junção de ו + יענ + ך

Este é o verbo ענה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “humilhar”.

* וַיַּרְעִבֶךָ: verbo

* וַיַּאֲכִלְךָ: Junção de ו + יאכל + ך

Este é o verbo אכל conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “comer, alimentar-se, devorar; consumir; destruir”.

* יָדַעְתָּ: ידעת
Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “conhecer”.

* יָדְעוּן: Junção de ידעו + ן

Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 3ª Pessoa masculino ou feminino plural.
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que no infinitivo significa “saber, conhecer; prestar atenção, preocupar; entender, perceber”.

* אֲבֹתֶיךָ: Junção de אבתי + ך

Este é o verbo אבן conjugado no Passado. 1ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך.

* הוֹדִעֲךָ: Junção de ה + ודע + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “apresentar; informar”.

* מוֹצָא
Este é o verbo מצא conjugado no Presente. Masculino singular, que no infinitivo significa “achar, encontrar; deduzir, concluir; conseguir”.
* יִחְיֶה: Junção de יחי + ה
Este é o verbo חיה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ה, que no infinitivo significa “viver; existir”.

בָלְתָה
VÅLËTÅH
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
שִׂמְלָתְךָ
SIMËLÅTËKHA
(junção de שמלה + תך
Palavra feminina com sufixo pronominal. 2ª pessoa. Masculino ou feminino. Singular – vestido, veste)
בָצֵקָה
VÅTSEQÅH
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
וְרַגְלְךָ
VËRAGËLËKHA
(junção de ו + רגל + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular – o teu pé)
מֵעָלֶיךָ
MEÅLEYKHA
(junção de מ + על + יך
Palavra masculina plural com sufixo pronominal. 2ª pessoa. Masculino ou feminino. Singular – prep. sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
שָׁנָה:
SHÅNÅH
(anos)
אַרְבָּעִים
’ARËBÅYM
(numeral cardinal - 40)
זֶה
ZEH
(pron. – este(s), isto, isso)

4. Não se envelheceu o teu vestido, nem se inchou o teu pé, estes quarenta anos.

Análise dos termos grifados:

* בָלְתָה: Junção de ב + לתה

Este é o verbo תהה conjugado no Infinitivo construto, que o seu infinitivo significa “envelhecer, decair, definhar; decompor-se, deteriorar-se, desgastar-se; passar o tempo”.

* בָצֵקָה: Junção de ב + צקה

Este é o verbo צק conjugado no Presente. Feminino singular. Também pode ser 3ª pessoa feminino passado, que no infinitivo significa “crescer, fermentar; inchar, levedar”.

לְבָבֶךָ
LËVÅVEKHA
(junção de ל + בב + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular – no teu coração”)

עִם
‘IM
(conj. - se)
וְיָדַעְתָּ
VËYÅDAËTÅ
(verbo)

אִישׁ
’IYSH
(homem, pessoa; esposo; alguém)
יְיַסֵּר
YËYASER
(verbo)
כַּאֲשֶׁר
KA’ASHER
(conj. - quando; como, conforme; como se)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(esse)
יְהוָה
ADONAI
בְּנוֹ
BËNO
(a seu filho)
אֶת
’ET
(e)
מְיַסְּרֶךָּ
MËYASËREKA
(verbo)

5. Saibas se pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, esse Eterno te castiga.

Análise dos termos grifados:

* וְיָדַעְתָּ: Junção de ו + ידעת
Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “saber, conhecer; prestar atenção, preocupar; entender, perceber”.

* יְיַסֵּר: ייסר
Este é o verbo יסר conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular, que no infinitivo significa “castigar, repreender; atormentar”.
* מְיַסְּרֶךָּ: Junção de מ + יסר + ך

Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “cartigar; repreender; atormentar”.
מִצְוֹת
MITSËOT
(verbo)
אֶת
’ET
(e)
וְשָׁמַרְתָּ
VËSHÅMARËTÅ
(verbo)
בִּדְרָכָיו
BIDËRÅKHÅYV
(seus caminhos)
לָלֶכֶת
LÅLEKHET
(verbo)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(ser supremo)
יְהוָה
ADONAI
אֹתוֹ
’OTO
(verbo)
וּלְיִרְאָה
ULËYRË’ÅH
(verbo)

6. E guarde os mandamentos do supremo Eterno, para o temer, e andar nos seus caminhos. 

Análise dos termos grifados:

* וְשָׁמַרְתָּ: Junção de ו + שמרת

Este é o verbo שמר conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “guardar, vigiar, proteger; observar, cumprir; esperar”.

* מִצְוֹת: Junção de מ + צות

Este é o verbo צת conjugado no Presente. Masculino plural, que o infinitivo significa “aderir, juntar-se, acompanhar, unir-se”.

* לָלֶכֶת: Junção de ל + לכת
Que o infinitivo significa “andar”.

* וּלְיִרְאָה: Junção de ו + ל + יראה + ה

Este é o verbo ראה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular. Está acompanhado do sufixo pronominal ה, que o infinitivo significa “temer; honrar, respeitar”.

* אֹתוֹ: Junção de את + ו

Este é o verbo אות conjugado no Presente. Masculino singular. Também pode ser 3ª pessoa masculino passado. Está acompanhado do sufixo pronominal ו, que o infinitivo significa “enviar sinais (para longe) ”.

7. Conclusão do Livro de Deuteronômio

Após a leitura e realização deste trabalho exegético acerca do livro de Deuteronômio, podemos entender que, primeiramente, o nome do livro de Deuteronômio, ou “segunda lei”, sugere sua natureza e propósito.
Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém.
Além disso, quanto à ênfase na pessoa de Deus, percebemos sua fidelidade ao cumprir suas promessas; já no plano para estabelecer seu reino, percebemos a reorganização do reino para a vida em Canaã. Em linhas gerais, é o registro da renovação da aliança feita no monte Sinai. Este pacto é renovado, estendido, ampliado e ratificado nas planícies de Moabe.
Conclui-se, com isso que, não significa se tratar de uma mera repetição do que ficou dito anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os adapta.
Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado. Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma a legislação – lei civil: regulava a vida cotidiana de Israel (Deuteronômio 24.10 e 11) – que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria em breve.
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência.
Diante deles está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além. Acompanha-os Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante suas experiências no Sinai, península deserta e escarpada. Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou uma aliança com ele. O Senhor exige devoção e adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo.
Mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa.
O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz, convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis divinas a força diretriz de suas vidas.
Esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.
Através do livro todo, acentua-se a fé somada a obediência. Em um sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.

8. Bibliografia

Bíblias, versões: NVI e ARA.

STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil. Barueri, SP. 2002


Comentário Bíblico Moody. Volume 1