terça-feira, 26 de julho de 2016

Como o conhecimento de Deus influência a obra missionária da igreja?





Primeiro: Quem são os missionários?

Partindo da premissa de que cada Cristão é um missionário, percebemos a importância do corpo de Cristo em se aprofundar nos estudo da santa palavra. Tal afirmação é feita não por nós meramente, mas sim por Cristo – o cabeça da Igreja. Esta foi a última grande ordenança de Jesus aos seus discípulos (uma dos mais importantes- a grande comissão), ao qual pode ser encontrado em Mateus 28:19–20.

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Assim, nas palavras de Ronaldo Lidório:

“Missão é um movimento salvífico e kerygmático, que parte do coração e da volição de Deus, revelado nas Escrituras, na qual o Evangelho é prometido, no Messias, a todas as pessoas de todos os povos espalhados pelo mundo. Portanto, é um movimento de Deus. Eu poderia dizer que tem como principais elementos: (1) O sacrifício do Cordeiro, o qual “com o seu sangue resgatou para Deus homens que procedem de toda língua, tribo, povo e nação”; (2) O dunamis do Espírito derramado sobre a igreja em Atos, que a capacita para comunicar a Palavra revelada; (3) O amor do Pai que, a cada dia, tenta nos dizer que uma alma vale mais do que o mundo inteiro; (4) A ação da igreja como comunidade propagadora desta mensagem que salva a todo aquele que crê. O cerne da obra missionária, portanto, não é a visão do mundo, mas a ação de Deus”.

Segundo: Como conhecemos a Deus?


Para nós, cristãos, é muito importante conhecer a Deus – e porque não dizer essencial. Mas, na verdade, como isso é possível? Poderíamos ressaltar, mediante a palavra divina, alguns aspectos fundamentais.

“Portanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou”. 
Romanos 1:19 

“Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir”.

Salmos 139:6

“Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo. Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra”.
Oséias 6:3

Deus é eterno e sabendo que nós somos limitados só revela o que podemos entender; mas não entender não significa não acreditar. Contudo, nós só conhecemos aquilo que Deus manifestou. Ele está acima da nossa compreensão; com isso, o processo deve ser contínuo – conhecer e prosseguir em conhecer a Deus.
Em suma, para conhecer a Deus devemos, insaciavelmente, ter a busca de informação com o intelecto, com a leitura da Palavra (Dn 9:2; Sl 1:2; Sl 27:4). Através da oração, também, podemos nos comunicar com Deus (Dn 9: 3; 1 Tes 5:17). E, por fim, o conhecemos através de nossas experiências diárias – com Deus em nosso viver (2 Tm 3:11,12). Tudo, em nossa vida, é resultado de nossas atitudes. As consequências vai ser a resposta da nossa escolha de viver ou não com Deus.

Terceiro: Como o conhecimento de Deus influência a obra missionária da igreja?

Quando aceitamos a Jesus, e nos achegamos a Ele, passamos a experimentar mais de sua visão Divina em nossas vidas. De tal forma, ao andarmos com o Mestre, sentimo-nos transformados. Devemos, então, conhece-lo, para que possamos ser, com Ele, parecido. Como seremos missionários de um Deus que nem conhecemos? Haveria alguma coisa errada, não é? Por isso temos o dever de seguir e prosseguir em conhece-lo, como já fora mencionado anteriormente (Os 6:3). E, contudo, não pregarmos de um Deus que ouvimos falar, mas de um Deus que anda ao nosso lado, que conhecemos e por Ele somos conhecidos (Jo 10.14).
Assim é a caminhada cristã - a pregação do Evangelho a este mundo que está perdido – e tal é uma prioridade no coração do Senhor (grande comissão). Ele mesmo afirmou que o campo é o mundo e que nós somos a luz do mundo. Logo, qualquer visão menor do que o mundo não é visão de Deus.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Exegese de Deuteronômio


1. Introdução

Deuteronômio – “Os Últimos Discursos de Moisés no Deserto” – consiste em uma série de mensagens de despedida pronunciada pelo líder de Israel, quando este estava com 120 anos.
Ele os dirigiu à nova geração destinada a possuir a Terra da Promessa – aqueles que sobreviveram aos 40 anos de peregrinação no deserto.
Como nos é sabido, de igual forma a Levítico, Deuteronômio contém um vasto volume de detalhes legais, sua ênfase, por sua vez, é posta mais nos leigos do que nos sacerdotes.
Moisés, desta forma, lembra à nova geração a importância da obediência, se porventura eles tivessem disposição de aprender a partir do triste exemplo de seus pais. As palavras iniciais de Moisés à nova geração são dadas de forma oral e escrita, de modo que durem por todas as gerações.
Enfim, o livro de Deuteronômio tem sido chamado de “O Quinto [livro] da Lei”, visto que completa os cinco livros de Moisés.
O povo judeu o tem também denominado Mishneh Hattorah (“Repetição da Lei”), o que é traduzido na Septuaginta como to deuteronomion touto (“Esta Segunda Lei”).
Entretanto, Deuteronômio não é uma segunda lei, mas a adaptação e expansão de grande parte da lei original dada no monte Sinai. O título português provém do título grego deuteronomion (“Segunda Lei”). Deuteronômio tem sido também chamado com muita propriedade de o “Livro de Memória”.157

2. Título

Quanto ao Título em português do livro de Deuteronômio parece basear-se na tradução errada que a LXX faz da frase, "um traslado desta lei" (17: 18), deuteronomion touto, também, podemos aplicar-lhe a tradução de: “segunda lei” ou “repetição da lei”.
O título judeu, deveirim, “palavras”, vem do costume de usar as palavras introdutórias do livro por título.
Desta forma, o livro de Deuteronômio começa com a declaração, "São estas as palavras que Moisés falou" (1:1a).
Considerando, assim, que os antigos tratados de suserania começavam exatamente assim, o título judeu chama a atenção para uma das pistas que identificam o caráter literário deste livro.

3. Ocasião Histórica

Apenas dentro da estrutura da administração da aliança redentora de Deus é que o Deuteronômio pode ser adequadamente interpretado. As promessas concedidas aos patriarcas, final e inteiramente realizadas em Cristo, tiveram um cumprimento provisional e típico nas alianças em que Moisés serviu de mediador para Israel. Na aliança do Sinai estabeleceu-se a teocracia, com Moisés no papel de representante terreno da realeza do Senhor sobre Israel. Então, depois que a rebelde geração do êxodo pereceu no deserto e a morte do próprio Moisés era iminente, foi necessário renovar a aliança com a segunda geração. O ato central, decisivo da cerimônia foi a consagração do povo-servo por meio de um juramento ao seu divino Senhor. Particularmente, o reino de Deus simbolicamente representado na dinastia terrena e mediadora, tinha de ser confirmado levando Israel a declarar que obedeceria a Josué na qualidade de sucessor de Moisés nesta dinastia. Parte do procedimento padrão seguido no Oriente Próximo da antiguidade, quando os grandes reis faziam alianças com os povos vassalos, era a preparação de um texto da cerimônia, incluindo o tratado e a testemunha. O livro de Deuteronômio é o documento preparado por Moisés na qualidade de testemunha na aliança dinástica que o Senhor fez com Israel nas planícies de Moabe. 
Em suma, a origem de Deuteronômio é de significado crucial nos estudos que a alta crítica moderna faz do Pentateuco e, também, nos estudos da literatura e teologia do Velho Testamento em geral. De acordo com a antiga Hipótese Evolucionária, o Deuteronômio originou-se no Sétimo Século A.C. e foi a base da reforma de Josias.

4. Os Métodos da Crítica

Em linhas gerais, o uso de métodos críticos para estudar o AT começou com a obra de Jean Astruc, médico do rei francês Luís XV. Em 1753, Astruc desenvolveu um método que, segundo sua opinião, conseguia separar com sucesso todas as diferentes fontes por trás de Gênesis. Ele usou sua descoberta para defender a autoria mosaica do livro.
Nos anos posteriores, porém, os resultados da aplicação dos métodos críticos muitas vezes foram usados como prova contra uma visão ortodoxa das Escrituras. Assim, na mente de muitos, crítica significa julgamento condenatório. Algumas pessoas muitas vezes recuam ante o uso de métodos críticos alegando que é impróprio ou mesmo blasfematório colocar-se como juiz sobre as Escrituras. Entretanto, o significado real do adjetivo crítico não é condenatório, mas analítico. Os vários ramos do método crítico, embora usados às vezes de maneira negativa ou destrutiva, podem proporcionar novos discernimentos da mensagem de Deus para nós hoje. Examinaremos os quatro principais métodos críticos na ordem em que começaram a ser usados.

4.1. A Crítica da Fonte

A crítica da fonte se originou e se desenvolveu tendo como centro de atenção o Pentateuco, os primeiros cinco livros do AT. Estudiosos desenvolveram critérios pelos quais as fontes originais do Pentateuco poderiam ser separadas umas das outras. Julius Wellhausen, estudioso alemão, que publicou sua principal obra na década de 1880, representa esse tipo de crítica da fonte. Wellhausen achava que podia distinguir quatro fontes a que chamou fontes Javista (J), Eloísta (E), Deuteronomista (D) e Sacerdotal (P). Argumentou que essas fontes foram produzidas por escolas de pensamento diferentes, às vezes conflitantes, em diferentes épocas. De acordo com esse esquema, os livros do Pentateuco só foram completados bem mais tarde na história do AT, centenas de anos depois de Moisés.

4.2. A Crítica da Forma

O interesse em tipos de literatura (gênero) foi reavivado no começo do século XX, principalmente por meio da obra do estudioso alemão Hermann Gunkel. Ele sentia que a crítica da fonte era inútil e suplementou-a com o estudo da forma (categoria literária) do texto. Aplicou seu método principalmente a Salmos e Gênesis. Outros, em especial Hugo Gressmann, aluno de Gunkel, e Sigmund Mowinckel, estudioso escandinavo, levaram as idéias dele ainda mais longe. Explicando de modo simples, a abordagem de Gunkel tinha como centro a identificação do tipo de texto que ele estava estudando. Em Salmos, por exemplo, os dois tipos principais eram hinos e elegias. Estas expressavam um clima triste, muitas vezes de arrependimento, e caracterizavam-se por linguagem usada em luto (“ai”, “ah!”). Gunkel tinha convicção de que, como um detetive, poderia trabalhar retrospectivamente a partir de um texto escrito e, passando por incontáveis versões, chegar ao material oral de origem. Achava também que cada tipo de literatura foi determinado por novos relatos feitos num contexto ou situação particular na vida da comunidade.
Assim, a crítica da forma rendeu grandes benefícios para os estudos do Pentateuco. Desta forma, o livro de Deuteronômio é padronizado segundo os textos clássicos hititas de tratado entre soberano e vassalo.

4.3. A Crítica da Redação

A crítica da forma tendia a fragmentar um texto por examinar passagens isoladas. A crítica da redação corrige os perigosos efeitos colaterais de uma análise segundo o método da crítica da forma.
A crítica da redação focaliza o que é distintivo de uma obra específica de literatura (Gênesis, Deuteronômio). Pergunta que interesses teológicos motivaram o redator (editor) bíblico a juntar dados tradicionais isolados.
A crítica da redação, no entanto, torna-se muito mais especulativa quando aplicada a livros sem paralelos.

4.4. A Abordagem Literária

Quanto aos Tipo de Literatura, é mais fácil compreender o AT quando sabemos que gênero literário estamos lendo em determinada passagem. Em nosso caso, estamos estudando o livro de Deuteronômio, sendo mais específico, o capítulo 8 deste livro.
Assim, para entendermos melhor, apontaremos o tipo de literatura empregada neste livro, o chamado: Leis — Há várias coleções de leis. As mais importantes são o Decálogo ou Dez Mandamentos (Êx 20:1-17; Dt 5:6-21), o Livro da Aliança (Êx 20:22—23:33), o código de santidade (Lv 17—26) e o livro de Deuteronômio, moldado em forma de sermões.




5. Síntese de Deuteronômio

Deuteronômio, em linhas gerais, é o registro da renovação da aliança feita no monte Sinai. Este pacto é renovado, estendido, ampliado e ratificado nas planícies de Moabe. Moisés faz isso basicamente a partir de três sermões partindo de um olhar retrospectivo do que Deus havia feito a Israel, passando para uma introspecção e, finalmente, para uma visão futura do modo de Deus tratar com Israel.  
Há, neste livro, o que chamamos de Fundamentos da Lei reafirmados (que vão do 5 ao 11).
Além disso, encontramos o que podemos chamar de segundo sermão de Moisés (4:44–26:19).
 Uma seção moral e legal para instruir que o futuro de Israel como nação em Canaã dependerá da correta relação com Deus.
Esses capítulos reveem três aspectos da Lei, mas ficaremos apenas na primeira, pois o alvo deste estudo é o capítulo 8: 
1)      Os testemunhos (5–11), em que são abordadas as responsabilidades morais – reafirmação e expansão dos Dez Mandamentos, com exortação à lembrança da graciosa libertação promovida por Deus. O quão o capítulo 8, que estudaremos mais a fundo, a frente, se enquadra.

5.1. O que passava em Deuteronômio 8

Deserto de Sim. Aqui receberam o Maná (cf. Dt 8:2-6). Nenhuma explicação humana resolve o problema da vinda do maná durante 40 anos, até que chegaram à terra e comeram o seu fruto. Enfim, encontramos a chamada lei do maná. 8:1-20.

5.2. O Grande Mandamento. 5:1 – 11:32

O primeiro e grande mandamento da aliança, a exigência de perfeita consagração ao Senhor, está enunciado nos capítulos 5-7, e reforçado por reivindicações e sanções divinas nos capítulos 8-11.
O que encontramos neste cap. 8, são as advertências contra a tentação da autonomia, quer na forma do espírito de autossuficiência.

5.3. Análise de Deuteronômio 8

A Lei do Maná (8:1-20)

 O ponto focal deste capítulo é o versículo 17, com o seu quadro de um Israel futuro repousando em Canaã, e congratulando-se consigo mesmo.
A lembrança da orientação providencial de Deus durante os quarenta anos no deserto forneceria o corretivo para tal vaidade. 1-6.

O versículo 1 é outro resumo introdutório das intimações e sanções da aliança.

2. No que se referia à geração sobrevivente, a peregrinação do deserto fora planejada como um período de exame para te provar – (v. 2b; cons. 13:3) e de instrução necessária. Fora uma disciplina paternal e contribuíra para suas bênçãos definitivas.
3. E te sustentou com o maná. O significado da humilhação de Israel, por Deus, é ilustrado pela referência à Sua extraordinária provisão de cada necessidade durante os quarenta anos, particularmente enviando o maná.
A humilhação consistiu da privação e então da provisão do "o que é isto?", o desconhecido, o sobrenatural pão do céu, que compeliu o povo a reconhecer sua dependência de Deus.
A moderna exegese naturalista identifica o maná bíblico com excreções de cochonilhas semelhantes ao mel encontradas em moitas de tamargueiras na região do Sinai. Seja qual for o papel explícito que foi ou não foi representado por essas excreções, o pão do céu era, nada mais nada menos que um produto claramente miraculoso em sua natureza e maneira de provisão. Mais ainda, uma simples mudança de um gênero de Deuteronômio (Comentário Bíblico Moody) alimento normal e apetitoso para outro, por mais exótico que fosse, jamais teria humilhado Israel nem lhe teria ensinado a verdade que o maná ensinou: não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, disso viverá o homem. Deus conduziu Israel a uma situação na qual a vida derivava e tinha de ser diariamente buscada no pão celestial, o fruto de um exercício criativo diário da palavra de Deus. Este era um lembrete eficiente de que a criatura não existe como um ser autossuficiente, sustentada pelos frutos de uma terra que também não existe e produz independentemente de Deus. Ele depende sempre e basicamente da palavra divina que deu vida a ele e ao seu mundo. Além disso, Deus propôs a ensinar a Israel que a vida do homem, diferentemente da vida animal, não consiste em apenas uma vitalidade física que o pão, quer terreno ou celestial, possa sustentar. Por isso ele providenciou o pão do céu de tal maneira que fosse necessária uma resposta ético-religiosa diante de Sua palavra preceptiva. Esta resposta foi apropriadamente focalizada sobre a guarda do sábado, o sinal da fidelidade do homem à aliança como também o lembrete do papel de Deus como Criador. Assim, o maná ensinou Israel que só quando o homem permanece obediente sob a palavra soberana do Senhor, a fonte máxima da vida, é que ele encontra vida verdadeira e duradoura.

7a. Boa terra. A lembrança da lição do deserto foi necessária a esta altura, pois Deus estava conduzindo Israel para dentro de uma terra onde os produtos normais da natureza proporcionariam um padrão de vida comparavelmente exuberante.

9b. Cujas pedras são ferro. No substrato de arenito da Palestina existem veios de cobre e ferro, e descobriram-se antigas minas onde esse arenito emerge à superfície no Arabá.

11. Guarda-te não te esqueças. Embora todos esses produtos naturais deviam ser gratamente aceitos como presentes de Deus, exatamente como o maná sobrenatural, a fartura e tranquilidade embotaria a percepção que Israel tinha de Deus. Deuteronômio (Comentário Bíblico Moody) e eleve o teu coração. O orgulho suprimiria as lembranças de dias mais humildes de escravidão, escorpiões e sede; dias quando o livramento e a sobrevivência exigiram a intervenção divina através de meios desconhecidos até então.
Eles deviam se precaver de negar assim o Senhor por causa da auto bajulação. A mesma verdade que tivera de ser aprendida antigamente quando os estômagos estavam vazios, seria relevante no futuro quando os estômagos estariam cheios: a fonte da vida do homem é a palavra de Deus – é ele o que te dá força. A beatitude de Israel devia-se somente à fidelidade divina ao seu juramento convencional. Ao mesmo tempo o Senhor interviria na vida daqueles que violassem a aliança com as maldições que eles invocassem.

20. Assim perecereis. Repudiar a eleição de ser propriedade peculiar do Senhor e identificar-se com os canaanitas anatematizados em sua iniquidade idólatra, resultaria na identificação de Israel com os pagãos e o seu destino.
6. Aplicação teológica para a vida prática da comunidade da fé

É muito rica esta passagem de Deuteronômio para nós, e para a comunidade de fé. Traz-nos a ideia de dependência de Deus, de fé, e de saber esperar por Sua grande provisão.
Podemos, desta forma, citar como texto correlato o Evangelho de Mateus 4:4, onde Jesus cita o versículo de Deuteronômio 8:3b, reafirmando uma verdade acerca da dependência divina.
Desta forma, Jesus foi muito enfático quanto a temática da confiança plena em Deus Pai, isso podemos conferir no Sermão do Monte (Mt 5), relembrando o Antigo Pacto e, trazendo-lhes o Novo Pacto, onde Ele, o Cristo, não viera abolir a mesma, mas, sim, cumpri-la de forma integral.
Assim como o povo passara pelo deserto 40 longos anos, isto por não terem dado ouvido à mensagem divina, muita das vezes nós também passamos por momentos similares, em época diferente.
Nós, seres humanos, tendemos a crer no visível, no palpável, não no sobrenatural, e racional. Da mesma forma, estavam também o povo hebreu, vivendo apenas do que podiam ver e tocar; não aguardando a provisão divina, não confiando que Deus daria o Maná, o qual sempre vinha, não tendo fé o bastante, isto mesmo andando tanto tempo com milagres diários, tais como suas roupas não envelhecerem, o mar se abrir, coluna de fogo à noite, nuvem durante o dia, etc.
Enfim, isto só nos prova o quanto o homem pode ser infiel e incrédulo, porém Deus continua fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.
Em suma, mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa. Assim, esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.
Assim, podemos citar outros textos bíblicos que nos dá a entender a ideia de dependência e descanso em Deus, além de fé e obediência; texto como o proferido por Jesus, no sermão do monte, a saber (Mt 6.25):
“Por isso vos digo: não andais cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?”.

Nesta passagem, Jesus não está dizendo que é errado o cristão tomar providências para suprir suas futuras necessidades materiais. O que Ele realmente reprova aqui é a ansiedade ou a preocupação angustiosa da pessoa, revelando sua falta de fé no cuidado e no amor paternal de Deus.
Devemos, acima de tudo, confiar no Senhor, quem confia não se preocupa com nada. Assim, depositando em Deus nossos cuidados e ansiedades. Nosso Pai Celeste tudo sabe.

“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós”.
(I Pedro 5.7)

Confia em Deus, descansa nelE. A bíblia não é mentirosa, antes é inerrante; nem o Senhor se esquece de realizar o que prometeu.
O cuidado que Deus tem conosco e com nossos problemas é tão grande que, nós, por sermos distraídos, não notamos muitas das vezes. Isso é verdade e é enfatizada pela Sua Palavra. Todos os nossos temores, cuidados e preocupações devem ser lançados sobre o Senhor.
Que possamos no dia de hoje proclamar com fé e determinação o que o Salmista Davi disse:

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”.
(Salmos 37.5)

Ou confiamos em Deus, ou não confiamos. Se realmente confiamos, então, devemos tudo entregar-lhe – tudo aquilo que nos perturba, que nos aflige e que tira nossa paz. Uma vez que entregamos na mão de Deus, não devemos nos perturbar ou nos afligir; se, acaso, isso ocorrer – que é normal, pois somos imperfeitos e pecadores – devemos pedir ao Pai, que é perfeito e cheio de amor, para nos ajudar.
Uma coisa que não devemos fazer é hora colocar não mão de Deus, hora tirar; isso impossibilita o trabalhar de Deus, não que o Senhor não possa fazer, mas porque nós nos afastamos de debaixo de sua potente mão. Com essa atitude demonstramos falta de confiança. Deus quer um coração puro e sincero para com Ele, além de determinação de nossa parte.
Quem realmente confia em Deus diz assim como está escrito em um dos salmos de Davi:

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?”
(Salmos 27.01)

O livro de Salmos é repleto de mensagens que relata a fidelidade de Deus para com seu filho e, também, a confiança deste por Deus.
O salmo 40 é prova de confiança, fidelidade e esperança.
Deus ouve a alma paciente. Devemos confiar e obedecer ao Senhor, pois obedecer é melhor que sacrificar.

“Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”.
(Salmos 40.1)

Ao confiarmos em Deus damos-lhe livre acesso em nossa vida, tendo o Senhor liberdade de trabalhar em nosso favor.
Só quem pode impedir o trabalhar de Deus, em nós, somos nós mesmos. Isto ocorre porque o Senhor é educado e não entra, nem trabalha, na vida de ninguém sem antes, o mesmo, permitir e desejar.

“Lança o teu cuidado sobre o Senhor e ele te sustentará; nunca permitirá que o justo seja abalado”.
(Salmos 55.22)

Quando, sob provações, que de tão pesados não podemos suportar, Deus nos convida a lançar sobre Ele nossos fardos e cuidados. Ele, então, conduz o peso juntamente conosco e nos sustém em todas as situações.

Jesus fez este mesmo convite em:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.
(Mateus 11.28-30)

Que convite tão generoso é este o de Jesus. Quem vai a Ele, e se torna seu servo, fazendo sua vontade, o amado Mestre o alivia de suas insuportáveis aflições, dando-lhe descanso, paz e seu Espírito Santo como guia.
Somente deste modo podemos suportar as provações e inquietações desta vida, com auxílio da graça de Deus.

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”.
(Hebreus 4.16)

Podemos chegar com confiança ao trono da graça celestial, sabendo que nossos pedidos e orações são ouvidos por Deus, porque Cristo se compadece das nossas fraquezas.
O significado “trono da graça” é: Lugar onde flui o amor, o socorro, o perdão, a misericórdia, o poder divino, o batismo com o Espírito Santo, os dons Espirituais, o fruto do Espírito Santo e tudo o que precisamos em todas as circunstâncias.
Uma das maiores bênçãos da Salvação é que Cristo, agora, é nosso sumo sacerdote, conduzindo-nos até a sua presença pessoal, de modo que sempre podermos buscar a ajuda de que carecemos.

Pedro afirma, como já citamos em I Pedro 5.7, que devemos nos humilhar diante de Deus, lançando toda e qualquer tipo de ansiedade, de medo, de desconfiança, pois sabemos que Ele cuida de tudo. O apóstolo Paulo exortou-nos a levar todas as nossas ansiedades a Deus em oração, com a promessa de que, assim, a paz de Deus guardará nossa mente e coração.

“E a paz de Deus, que excede entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”.
(Filipenses 4.7)

Ao invocarmos a Deus, com o coração posto em Jesus e na sua palavra, a paz de Deus transborda em nossa aflita alma. Esta paz é além do que nossa limitada mente humana pode imaginar. A mesma consiste em trazer refrigério e tranquilidade ao nosso interior; nisso consiste o Espírito Santo que venha transmitir em nós essa paz.
Quando colocamos diante de Deus, em oração, as nossas iniquidades, problemas, inquietações, essa mesma paz ficará como guarda à nossa porta – coração – e de nossa mente, para impedir que as angústias nos perturbem a vida e tire a esperança em Cristo.
Se, por algum motivo, o medo, ansiedade, angústia voltarem, novamente as orações, súplicas e ações de graça nos trarão a paz de Deus que guarda os nossos corações. Assim voltaremos a sentir segurança, e nos regozijaremos no Senhor.

Confiai em Deus, pois é somente desta forma que encontraremos a paz que tanto necessitamos, e o alívio para nossa alma; só assim o Senhor trabalhará em nosso favor.
Confiar em Deus é depositar nele nossas aflições.

Textos Bíblicos para Meditação:

Mateus 6.25-30; 11.28-30
Lucas 12.22-31

Que venhamos a ser pacientes e esperarmos que a boa obra de Deus se cumpra em nossas vidas, certos de que aquele que começou a boa obra não descansará até que a tenha terminado.
Continuamos nossa luta, porque Deus é conosco. Que possamos vir a romper em fé; e se o mar não se abrir, com certeza, passaremos por cima das águas.
O Senhor é tão maravilhoso e bondoso para conosco que jamais nos dará uma prova a qual nós não aguentaríamos. Se a prova está difícil, saiba que você não está sozinho; Deus está com você, ajudando-lhe, amparando-lhe e carregando, junto contigo, seu fardo. Veja com os olhos da fé o Senhor ao seu lado.
Saiba que Deus não chama os capacitados, mas capacita os chamados. Você é chamado do Senhor; tome, então, sua posição de valente de Deus; passe por cima das águas! Você pode; o Senhor lhe faz capaz!
Somos importantes para Deus para o Senhor, se assim não fosse o Senhor não teria dado seu único filho para morrer por nós.
No final, perceberemos que a luta, após findada, nos tornaremos mais fortes e saborearemos a vitória cantando louvores àquele que é fiel.
Que não venhamos andar ansiosos, pois a ansiedade se torna um bloqueio entre o milagre de Deus e nós.
Que possamos vir descansar, assim como o próprio Jesus descansou em meio a tempestade. Os discípulos com medo gritavam por socorro, mas o Mestre descansava. Ele descansava, pois sabia que Deus estava com Ele naquele barco. Que este acontecimento venha ser um ensinamento para nós. Devemos nos portar como Jesus se portou, sendo confiante a todo instante. (Lc 8.22-25; Mt 8.23-27; Mc 4.35-41). Neste texto bíblico, Jesus repreendeu aos discípulos:

“... porque temeis, homens de pequena fé?”.

Que venhamos ter muita fé – a fé que remove montanhas, a própria fé de Deus.
Se Deus habita em nosso ser deve, também, em nós habitar a Sua bendita fé. Somos a imagem de Deus; que essa verdade arda continuamente em nossos corações e mente, para sempre.

A fé que nos faz vencedor.
A fé que quebra as cadeias.
A fé que liberta os cativos.
A fé que cura os enfermos.
A fé que salva o pecador.
A fé de saber que, mesmo não tendo visto Jesus morto na cruz, Ele assim se deu por nós – nisto, acreditamos.
Esta mesma fé nos dá a certeza que Jesus voltará para nos buscar.

Não deixe o inimigo de nossas almas roubar a fé que em nós há.

“Entrega o teu caminho ao Senhor...”
“Espera com paciência no Senhor...”
Lança “... o teu cuidado no Senhor...”
Porque o Senhor é a luz e a força de nossa vida, e de nada e de ninguém devemos temer.

E se nos falta a fé, o que devemos fazer?

A palavra do Senhor diz que tudo que pedimos, crendo, receberemos. Mas, como pedir se, às vezes, falta-nos a fé necessária para alcançarmos a benção?

“Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos fé”.
(Lucas 17.5)

Essa é a chave da vitória! Devemos fazer conforme fizeram os apóstolos ao Senhor: “Acrescenta-nos fé”. Peça a Ele que aumente sua pequena fé.

Deus tem uma maneira para suprir a sua necessidade e resolver o seu problema. Esta maneira está fundamentada em sua fé que se torna semente. Quando você planta uma semente, Deus muda a natureza dessa semente, de modo que se torna uma planta, e o poder da vida surge naquela frágil planta jovem de tal maneira que nem um monte de terra pode impedi-la de crescer.

“... se tiveres fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível”.
(Mateus 17.20b).

A fé mesmo que pequena ou fraca para nós, ainda pode realizar o humanamente impossível. Este monte era uma figura para obstáculos, impedimentos ou problemas humanamente insuportáveis - nenhum dos quais era impossível para Deus lidar através de pessoas comprometidas que compreendiam exatamente a autoridade e conheciam o poder, vontade e provisão delE.

Jesus diz que nossa fé em Deus é como uma semente. Quando colocamos nossa fé em ação, ou seja, quando deixamos nas mãos de Deus, ela assume uma natureza totalmente nova. Assume a natureza de um milagre em desenvolvimento.
O que é um monte em sua vida? A solidão, a perda de um emprego, uma doença...? Crie coragem! Jesus mostra o caminho para remover esse monte.
Primeiramente, Deus diz que temos uma medida de fé.

“Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.
(Romanos 12.3)

Essa fé está dentro de você.

Em segundo lugar, Deus diz que sua fé surge ao se “ouvir... a palavra de Deus” (Rm 19.17). Por último, Deus diz que se pode aplicar a fé para atender suas necessidades diárias. Como? Faça algo como ato da sua fé. Semeie a pequenez da semente de mostarda de sua fé em um ato de amor (Mt 17.20).
Depois quando sua fé tiver sido plantada e estiver crescendo, fale com seu monte e observe Deus começar a cuidar da sua remoção.

Lembre-se que os milagres vêm pela fé no poder presente de Deus, e não por um ritual ou fórmula do esforço humano.
Assim, veremos a fé como uma gravidez. Desta forma, quando a mulher espera por um bebê. Ela fica imaginando como o mesmo será. Trazendo, em sua mente, a forma de um bebê que ainda ela não viu, que ainda não nasceu; mas mesmo assim, a mãe fica imaginando, sonhando com ele.
A fé também pode ser relacionada a uma gravidez, onde a mãe espera pacientemente o dia do parto. Desta forma, também, devemos nós ficarmos – pacientemente esperando o dia da vitória. Grávidos da benção que vai nascer. Felizes, pois sabemos que vai chegar o dia; sem dúvidas! Sonhando e imaginando a benção em nossas mãos.


7. Tradução e Breve Análise de Deuteronômio 8:1-6


אֲשֶׁר
ASHER
(conj. - que)
הַמִּצְוָה
HAMITSËVÅH
(verbo)
כָּל
KÅL
(todo)
תִּשְׁמְרוּן
TISHËMËRUN
(verbo)
הַיּוֹם
HAYOM
(adv. f./pl.
hoje)
מְצַוְּךָ
MËTSAVËKHA
(mandamento/lei
Junção de:
מ + צו + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª p. m./ ou f. sing.)
אָנֹכִי
ÅNOKHY
(pron. – eu)
וּרְבִיתֶם
URËVYTEM
(verbo)
תִּחְיוּן
TICHËYUN
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘AN
(conj. – para)
לַעֲשׂוֹת
LA‘ASOT
(verbo)
הָאָרֶץ
HÅ’ÅRETS
(a terra)
אֶת
’ET
(e)
וִירִשְׁתֶּם
VYRISHËTEM
(verbo)
וּבָאתֶם
UVÅ’TEM
(verbo)
לַאֲבֹתֵיכֶם
LA’AVOTEYKHEM
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
נִשְׁבַּע
NISHËBA
(verbo)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)

1. Todo o mandamento (lei) que hoje vos ordeno guardareis para o fazer: para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e herdais a terra que o Eterno jurou a vossos pais fartar-se.

Análise dos termos grifados:

* הַמִּצְוָה: Junção de ה + מצוה

Este é o verbo צוה conjugado no Presente, masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “ordenar”.

* תִּשְׁמְרוּן: Junção de תשמרו + ן 

Este é o verbo שמר conjugado no Futuro. 2ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que significa no infinitivo “guardar”.

* לַעֲשׂוֹת: Junção de Junção de: ל + עשות

Este é o verbo עש conjugado no Presente. Feminino plural, que no infinitivo significa “fazer”.

* תִּחְיוּן: Junção de תחיו + ן 

Este é o verbo חיה conjugado no Futuro, 2ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que no infinitivo significa “viver”.

* וּרְבִיתֶם: Junção de ו + רבית + ם 

Este é o verbo רבה conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “multiplicar”.

* וּבָאתֶם: Junção de ו + באת + ם 

Este é o verbo בא conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “entrar”.

* וִירִשְׁתֶּם: Junção de ו + ירשת + ם 

Este é o verbo ירש conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ם, que no infinitivo significa “herdar”.

* נִשְׁבַּע: Este é o verbo שבע conjugado no Futuro. 1ª Pessoa masculino ou feminino plural, que no infinitivo significa “fartar-se”

* לַאֲבֹתֵיכֶם: Junção de ל + אבתי + כם 

Este é o verbo אבן conjugado no Passado. 1ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal כם, que no infinitivo significa “jurar”.

  
כָּל
KÅL
(todo)
אֶת
’ET
(e)
וְזָכַרְתָּ
VËZÅKHARËTÅ
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
הֹלִיכֲךָ
HOLYKHAKHA
(costume/passo)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)
הַדֶּרֶךְ
HADEREKH
(o caminho)
שָׁנָה
SHÅNÅH
(anos)
אַרְבָּעִים
’ARËBÅYM
(numeral cardinal - 40)
זֶה
ZEH
(pron. – este(s), isto, isso)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(ser supremo)
לְנַסֹּתְךָ
LËNASOTËKHA
(verbo)
עַנֹּתְךָ
ANOTËKHA
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘NA
(conj. - para, para que, afim de, por causa de, por conta de)
בַּמִּדְבָּר
BAMIDËBÅR
(verbo)
בִּלְבָבְךָ
BILËVÅVËKHA
(no seu coração)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. – do que)
אֶת
’ET
(e)
לָדַעַת
LÅ‘DAAT
(compreensão)
אִם
‘IM
(conj. - se)
(מִצְוֹתָיו)
(MITSËOTÅYV)
מִצְוֹתוֹ
MITSËOTO
(mandamentos)
הֲתִשְׁמֹר
HATISHËMOR
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
2. E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o supremo Eterno te falou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, para compreensão do que estava no teu coração, se guardarias os mandamentos, ou não.

Análise dos termos grifados:

* וְזָכַרְתָּ: Junção de ו + זכרת

Este é o verbo זכר conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “lembrar”.

* בַּמִּדְבָּר: Junção de ב + מדבר 

Este é o verbo דבר conjugado no Presente. Masculino singular, que no infinitivo significa “falar”.
* עַנֹּתְךָ: Junção de ענת + ך

Este é o verbo ענן conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “humilhar”.

* לְנַסֹּתְךָ: verbo tentar.

* הֲתִשְׁמֹר: Junção de ה + תשמר

Este é o verbo שמר conjugado no Futuro. 2ª Pessoa masculino singular ou 3ª pessoa feminino singular


וַיַּאֲכִלְךָ
VAYAAKHILËKHA
(verbo)
וַיַּרְעִבֶךָ
VAYARËIVEKHA
(verbo)
וַיְעַנְּךָ
VAYËANËKHA
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
אֲשֶׁר
’ASHER
(conj. - que)
הַמָּן
HAMÅN
(o maná)
אֶת
’ET
(e)
אֲבֹתֶיךָ
’AVOTEYKHA
(verbo)
יָדְעוּן
YÅDËUN
(verbo)
וְלֹא
VËL’O
(Junção de: 
  ו + לא
definitivamente não, de maneira nenhuma)
יָדַעְתָּ
YÅDA’ËTÅ
(conhecer)
לֹא
LO’
(não)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
הוֹדִעֲךָ
HODIAKHA
(verbo)
לְמַעַן
LËMA‘NA
 (conj. - para, para que, afim de, por causa de, por conta de)



יִחְיֶה
YCHËYEH
לְבַדּוֹ
LËVADO
הַלֶּחֶם
HALECHEM
עַל
‘AL
(prep. - sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
כָּל
KÅL
(todo)
עַל
‘AL
(prep. - sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
הָאָדָם
HÅ’ÅDÅM
(o homem)
יִחְיֶה
YCHËYEH
(verbo)
יְהוָה
ADONAI
פִי
FIY
(boca do)
מוֹצָא
MOTSÅ’
(verbo)
הָאָדָם
HÅ’ÅDÅM
(o homem)

3. Humilhou-te, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram: para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do Eterno viverá o homem.

Análise dos termos grifados:

* וַיְעַנְּךָ: Junção de ו + יענ + ך

Este é o verbo ענה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “humilhar”.

* וַיַּרְעִבֶךָ: verbo

* וַיַּאֲכִלְךָ: Junção de ו + יאכל + ך

Este é o verbo אכל conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך, que no infinitivo significa “comer, alimentar-se, devorar; consumir; destruir”.

* יָדַעְתָּ: ידעת
Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “conhecer”.

* יָדְעוּן: Junção de ידעו + ן

Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 3ª Pessoa masculino ou feminino plural.
Está acompanhado do sufixo pronominal ן, que no infinitivo significa “saber, conhecer; prestar atenção, preocupar; entender, perceber”.

* אֲבֹתֶיךָ: Junção de אבתי + ך

Este é o verbo אבן conjugado no Passado. 1ª Pessoa masculino ou feminino singular.
Está acompanhado do sufixo pronominal ך.

* הוֹדִעֲךָ: Junção de ה + ודע + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular, que no infinitivo significa “apresentar; informar”.

* מוֹצָא
Este é o verbo מצא conjugado no Presente. Masculino singular, que no infinitivo significa “achar, encontrar; deduzir, concluir; conseguir”.
* יִחְיֶה: Junção de יחי + ה
Este é o verbo חיה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino plural
Está acompanhado do sufixo pronominal ה, que no infinitivo significa “viver; existir”.

בָלְתָה
VÅLËTÅH
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
שִׂמְלָתְךָ
SIMËLÅTËKHA
(junção de שמלה + תך
Palavra feminina com sufixo pronominal. 2ª pessoa. Masculino ou feminino. Singular – vestido, veste)
בָצֵקָה
VÅTSEQÅH
(verbo)
לֹא
LO’
(não)
וְרַגְלְךָ
VËRAGËLËKHA
(junção de ו + רגל + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular – o teu pé)
מֵעָלֶיךָ
MEÅLEYKHA
(junção de מ + על + יך
Palavra masculina plural com sufixo pronominal. 2ª pessoa. Masculino ou feminino. Singular – prep. sobre, em cima de; acerca de; perto de; por causa de; contra; a favor de; diante de; concernente a)
שָׁנָה:
SHÅNÅH
(anos)
אַרְבָּעִים
’ARËBÅYM
(numeral cardinal - 40)
זֶה
ZEH
(pron. – este(s), isto, isso)

4. Não se envelheceu o teu vestido, nem se inchou o teu pé, estes quarenta anos.

Análise dos termos grifados:

* בָלְתָה: Junção de ב + לתה

Este é o verbo תהה conjugado no Infinitivo construto, que o seu infinitivo significa “envelhecer, decair, definhar; decompor-se, deteriorar-se, desgastar-se; passar o tempo”.

* בָצֵקָה: Junção de ב + צקה

Este é o verbo צק conjugado no Presente. Feminino singular. Também pode ser 3ª pessoa feminino passado, que no infinitivo significa “crescer, fermentar; inchar, levedar”.

לְבָבֶךָ
LËVÅVEKHA
(junção de ל + בב + ך
Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular – no teu coração”)

עִם
‘IM
(conj. - se)
וְיָדַעְתָּ
VËYÅDAËTÅ
(verbo)

אִישׁ
’IYSH
(homem, pessoa; esposo; alguém)
יְיַסֵּר
YËYASER
(verbo)
כַּאֲשֶׁר
KA’ASHER
(conj. - quando; como, conforme; como se)
כִּי
KIY
(conj. - porque, pois, que, se, apesar de que, ainda que, quando)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(esse)
יְהוָה
ADONAI
בְּנוֹ
BËNO
(a seu filho)
אֶת
’ET
(e)
מְיַסְּרֶךָּ
MËYASËREKA
(verbo)

5. Saibas se pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, esse Eterno te castiga.

Análise dos termos grifados:

* וְיָדַעְתָּ: Junção de ו + ידעת
Este é o verbo ידע conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “saber, conhecer; prestar atenção, preocupar; entender, perceber”.

* יְיַסֵּר: ייסר
Este é o verbo יסר conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular, que no infinitivo significa “castigar, repreender; atormentar”.
* מְיַסְּרֶךָּ: Junção de מ + יסר + ך

Palavra com sufixo pronominal. 2ª pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “cartigar; repreender; atormentar”.
מִצְוֹת
MITSËOT
(verbo)
אֶת
’ET
(e)
וְשָׁמַרְתָּ
VËSHÅMARËTÅ
(verbo)
בִּדְרָכָיו
BIDËRÅKHÅYV
(seus caminhos)
לָלֶכֶת
LÅLEKHET
(verbo)
אֱלֹהֶיךָ
’ELOHEYKHA
(ser supremo)
יְהוָה
ADONAI
אֹתוֹ
’OTO
(verbo)
וּלְיִרְאָה
ULËYRË’ÅH
(verbo)

6. E guarde os mandamentos do supremo Eterno, para o temer, e andar nos seus caminhos. 

Análise dos termos grifados:

* וְשָׁמַרְתָּ: Junção de ו + שמרת

Este é o verbo שמר conjugado no Passado. 2ª Pessoa masculino ou feminino singular, que o infinitivo significa “guardar, vigiar, proteger; observar, cumprir; esperar”.

* מִצְוֹת: Junção de מ + צות

Este é o verbo צת conjugado no Presente. Masculino plural, que o infinitivo significa “aderir, juntar-se, acompanhar, unir-se”.

* לָלֶכֶת: Junção de ל + לכת
Que o infinitivo significa “andar”.

* וּלְיִרְאָה: Junção de ו + ל + יראה + ה

Este é o verbo ראה conjugado no Futuro. 3ª Pessoa masculino singular. Está acompanhado do sufixo pronominal ה, que o infinitivo significa “temer; honrar, respeitar”.

* אֹתוֹ: Junção de את + ו

Este é o verbo אות conjugado no Presente. Masculino singular. Também pode ser 3ª pessoa masculino passado. Está acompanhado do sufixo pronominal ו, que o infinitivo significa “enviar sinais (para longe) ”.

7. Conclusão do Livro de Deuteronômio

Após a leitura e realização deste trabalho exegético acerca do livro de Deuteronômio, podemos entender que, primeiramente, o nome do livro de Deuteronômio, ou “segunda lei”, sugere sua natureza e propósito.
Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém.
Além disso, quanto à ênfase na pessoa de Deus, percebemos sua fidelidade ao cumprir suas promessas; já no plano para estabelecer seu reino, percebemos a reorganização do reino para a vida em Canaã. Em linhas gerais, é o registro da renovação da aliança feita no monte Sinai. Este pacto é renovado, estendido, ampliado e ratificado nas planícies de Moabe.
Conclui-se, com isso que, não significa se tratar de uma mera repetição do que ficou dito anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os adapta.
Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado. Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma a legislação – lei civil: regulava a vida cotidiana de Israel (Deuteronômio 24.10 e 11) – que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria em breve.
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência.
Diante deles está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além. Acompanha-os Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante suas experiências no Sinai, península deserta e escarpada. Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou uma aliança com ele. O Senhor exige devoção e adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo.
Mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa.
O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz, convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis divinas a força diretriz de suas vidas.
Esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.
Através do livro todo, acentua-se a fé somada a obediência. Em um sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.

8. Bibliografia

Bíblias, versões: NVI e ARA.

STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil. Barueri, SP. 2002


Comentário Bíblico Moody. Volume 1