sexta-feira, 7 de julho de 2017

A justificação pela fé



Em Gálatas (3.1-4.31), o apostolo Paulo defende a ideia da graça – assim, com base na vida do patriarca Abraão, pai dos fiéis (Gl 3.6-18), procurou provar aos cristãos a autoridade do sistema da graça, como a fé autêntica de Cristo.
Desta maneira, baseando-se no AT, apontando, contudo, a vida de Abraão – o qual vivera antes da outorga da lei – Paulo defende e aponta a “justificação pela fé” (Rm 3.24,28).
Enfim, Paulo outorga a fé que Abraão tinha, o qual servira de alicerce para a sua obediência e, também que, em face desse alicerce, ele foi aceito por Deus, e não porque Abraão merecesse – salvação não meritória. Desta feita, ninguém pode participar do pacto abraamico, sem participar também da fé que este tinha. Assim, a lei na antiga aliança servia para definir o pecado com maior exatidão, mas não podia tomar lugar da espiritualidade genuína, o qual só pode vir por intermédio da fé – que é dom de Deus.  
Desta feita, conforme apresentado a nós, através da História da Redenção, encontrados nas sagradas escrituras, desde o começo Deus se relacionou com indivíduos e suas famílias. Como fora aprendido, o reino de Deus, como uma forma distinta e separada dos reinos do mundo, primeiro se manifestou, provisória e instrumentalmente, em Israel; depois, de forma mais ampla, universal, o reino de Deus finalmente manifestou-se na Igreja.
Desta feita, a aliança de Deus com Abraão não fora de abandonada; ao contrário, pela virtude da fidelidade e poder de Deus somente, a aliança foi levada ao seu pleno cumprimento. Porém, não podemos ignorar que esta aliança fora estabelecida e anunciada muito antes de Abraão e já havia redimido uma multidão inumerável. Entretanto, podemos concluir que a aliança de salvação das gerações de Abraão, Isaque e Jacó, não é diferente da Aliança da salvação das gerações que vieram depois (Gn 15.5-6; Ex 20.6; At 2.38-39).
Voltando a falar da visão paulina, de forma direta, Paulo desconstrói a ideia de que a salvação era única e exclusivamente para o povo judeu (Gl 3.7), sendo esta para todos os eleitos – os quais passaram pelo caminho da regeneração e foram justificados por Cristo, através da fé.
Em suma, Cristo morreu pelos eleitos, por pessoas, não por um povo em especial. Então, para Paulo, quem seriam os filhos de Abraão? A resposta é bem simples, “os da fé”, os cristãos eleitos por Deus, desde a fundação do mundo, o qual o precioso sangue de Cristo lavou pela regeneração dos pecados.
De certa forma, esta justificação nos confere a retidão divina, implantada e cultivada pelo Espírito Santo, primeiramente em forma de uma declaração forense, mas, em seguida, realizada como fato vivo. Somos moralmente transformados (Rm 3.28). Em outras palavras, a justificação é um ato de Deus e ocorre de uma vez por todos (somos justificados apenas uma vez, diferentemente da santificação que deve ocorrer sempre, até sermos totalmente transformados, tendo um novo corpo). Ela, a justificação, baseia-se sobre a missão de Cristo, incluindo seu ato expiatório (Rm 3.24). Além disso, verifica-se totalmente à revelia dos méritos humanos, como aqueles adquiridos pela obediência à lei mosaica (Rm 8.28). A justificação também é o começo para a santificação, e a semente da glorificação (Rm 5.18). Desse modo, a própria forma de vida divina é proporcionada aos homens (Jo 5.25,26).
Devemos salientar que a carta de Paulo aos Romanos tem como tese: A Justificação pela fé. Desta feita, o justo é salvo pela fé. Esta fé que liga a regeneração a justificação. Ou seja, Paulo (na carta aos Romanos) inicia o texto com uma declaração concisa sobre os três pilares do Evangelho:

ü  Primeiro, o evangelho revela a justiça de Deus savífica e poderosa.
ü  Segundo, a justiça de Deus torna-se eficaz somente pela fé e, portanto, está disponível a todos, judeus e gentios.
ü  Terceiro, esta forma de entender a justiça de Deus é coerente com as Escrituras.

O PANO DE FUNDO DA JUSTIFICAÇÃO: toda humanidade é culpável aos olhos de Deus (Rm. 1.18-3:20). E, enfim, somos justificados pela fé em Jesus Cristo (Rm 3-23 e 24). “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”.
Em linhas gerais, a Justificação é escatológica e forense. Aliás, há a necessidade da justificação: Deus é o juiz (Gn 18.25; Dt 25.1). Deus justifica o ímpio e mantém sua justiça (Rm 4.5; 3.26). Com isso, a justificação é uma antecipação do fim dos tempos (Rm 8.33; Rm 5.9), sendo uma declaração legal a partir do sacrifício de Jesus (2Co 3.9; 2Co 5.21; Rm 3.21-26). Enfim, a justificação é somente pela fé (Rm 5.1)

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. (...). Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo sangue, seremos por ele salvo da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5.1,9 e 10).

Desta forma, a reconciliação é um ato de Deus, desfazendo a inimizade, é um presente a ser recebido. Somos, então, adotados por Ele. Assim, tornamo-nos uma nova criatura. Já a Santificação é Interior – nesta vida nunca chegaremos a perfeição total, mas devemos continuar aperfeiçoando-nos em Cristo, para ser como nosso Senhor, santo e justo.



Por fim, o justo não é um ser santo e perfeito, imune ao pecado (Pv 24:16). De igual forma, Isaías declarou que toda a justiça humana é considerada trapo de imundícia (Is 64:6), ou seja, diante do Senhor, ninguém possui qualquer elemento capaz de habilitá-lo a receber tal designação. Jesus, pelo contrário, foi o único homem essencialmente justo que viveu nesta terra. Como afirma o autor aos Hebreus 4:15, que em tudo fora tentado, mas sem pecado. Assim, seu sacrifício vicário e substitutivo em favor dos seus eleitos garantiu-lhes a regeneração e, assim, pode haver a fé, a qual os levam a serem justificados perante Deus.
Enfim, ao crermos em Jesus, Deus imputa a nós a sua justiça, declarando-nos justos diante dele. Ele é tanto juiz justo, quanto o único que pode nos declarar justos; ele é nosso justificador (Rm 3:26). Embora ninguém possa ser considerado justo (Rm 3:10-12), muitos servos de Deus receberam esta alcunha, pois foram declarados inocentes pelo supremo Juiz. Lembremos, por fim, que a salvação é dom de Deus.
Contudo, ao depararmos, então, com os escritos de Habacuque 2.4, onde lemos que “o justo viverá pela fé”, eleva infinitamente a maneira como as palavras citadas são usadas aqui. Assim, para Paulo, o crente é aquele que tem a fé correta no tocante a Cristo, o qual vive para Cristo, ou seja, a participação na vida de Deus, produzindo uma verdadeira vida de santidade. Além disso, esse viver tem sentido escatológico, ou seja, relaciona-se
à existência futura, nos lugares celestiais, na vida eterna.
Porém, ao estudarmos os capítulos 8 e 9 de Mateus, a fé em Jesus Cristo é indicada como o necessário meio de salvação; tal verdade não se dá apenas pelas diversas vezes em que a fé é mencionada em conexão com as curas (as quais tipificam a salvação), mas também pela afirmação explícita de Jesus: “a tua fé te salvou” (9.22).
Em João 1.12-14 fala-nos do “dom da filiação”, remetendo a ideia de não precisar, propriamente dito, ser descendente de sangue de Abraão (ser judeu), mas sim como um dom gratuito e sobrenatural da parte de Deus, mediante uma nova vida implantada neles pelo Espirito Santo (isto pode ser evidenciado no capitulo 3 – entrevista de Jesus com Nicodemos).

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.  (João 1:13)

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação e da renovação do Espirito Santo (...) Para que, sendo justificados pela graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”.  (Tito 3:5 e 7)

Por conseguinte, como já fora mencionado anteriormente, a doutrina da justificação pela fé é mais desenvolvida no Evangelho de João e principalmente nas cartas apostólicas; porém, seus fundamentos foram lançados tanto no AT quanto também nos Evangelhos sinóticos.



quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Sermão do Monte - O Caráter dos Cidadãos do Reino



A priori podemos ressaltar que, ao preferir as palavras no “Sermão do Monte”, em suma, traria algo de grande importância a nós – crentes em Cristo Jesus, nosso Salvador – que era o reino do próprio Cristo. Desta forma, tal reino requeria uma nova lei, bem como um novo legislador, e em Jesus e suas palavras encontramos ambas as coisas.
Contudo, é nós permitido observar que tal mensagem dirigia-se ao Novo Israel (nós – a igreja comprada pelo sangue de Cristo, eleita, predestinada e justificada) e não ao antigo Israel (como muitos ainda defendem – pois Deus trata com pessoas, as elegem e não se prende a povos – contudo, Jesus morreu pelos eleitos, não apenas por um povo – portanto, rejeitamos aqui o ensinamento hiperdispensacional, que atribui esse primeiro discurso a “Israel” ou adia sua aplicação até o milênio.
Assim, tal discurso visa à conduta cristã ideal; contudo, notamos que a igreja cristã é o Novo Israel. Sherman Johnson afirma que até esse ponto da narrativa, Jesus chamara apenas quatro discípulos especiais, e aparentemente o discurso lhes foi dirigido; mas Mateus na realidade tinha em mira as multidões, e o sermão tem por escopo aplicar-se a todos os cristãos. Ao lermos, enfim, o Sermão do Monte, que se encontra a partir do capítulo 5:1 – 7:29 do evangelho de Mateus, percebemos que o maior interesse deste estava centralizado na vida espiritual e moral da comunidade cristã; assim, a natureza do evangelho de Mateus não era “legalista”, “eclesiástico” ou “judaico”.
Em suma, essa vida espiritual vivida pela igreja e Cristo deve ser de nível mais elevado do que a vida evidenciada por alguns representantes do judaísmo (preso às tradições), em outras palavras, a justiça cristã deve ultrapassar a dos “escribas e fariseus” (5;20), sendo esta mais profética do que rabínica.
Enfim, ao compararmos a subida de Jesus ao monte (onde diria lago que transcenderia a vida comum dos homens, os quais estavam acostumados a viver) o qual outorga de seu mandamento, por igual modo, Moisés recebeu a lei em um monte (Êxodo 19 – 20). Cristo, assim, apresenta aos homens o caminho da vida.
Por fim, podemos afirmar que o evangelho de Mateus é o evangelho dos logois (logoi") ou ensinamentos. Tais ensinamentos são de suma importância para os cristãos através dos séculos. Assim, Cristo nos apresenta a nova lei (Capítulos 5 – 7 de Mateus, intitulado como Sermão do Monte), os conceitos do reino, instruções aos herdeiros do reino.
Desta forma, entendemos, pois, que o Sermão da Montanha é “o evangelho do reino” (Mateus 4:23).
Segundo Paul Earnhart, em seu livro O Sermão da Montanha, tal evidência deveria servir para esclarecer duas coisas: Primeiro: que ele não é meramente a exposição da lei e, segundo, que suas bênçãos e princípios éticos não são atingíveis pelos não convertidos. Este é um sermão para os “cidadãos do reino”. A salvação, e não a reconstrução social, é seu alvo e os homens de sabedoria mundana estão destinados a jamais entendê-lo. Desta forma, o Sermão da Montanha permanece como uma explanação da verdadeira natureza do “reino de Deus”.

É um sermão proferido na História e serve para responder às questões que, naturalmente, seriam levantadas pelo anúncio em Israel do iminente aparecimento do reino (Mateus 3:1; 4:17). Mais ainda, o caráter totalmente inesperado do pregador e o acirrado conflito entre Jesus e os fariseus estavam para provocar ainda maior preocupação entre aqueles que primeiro ouviram o grito: “Está próximo o reino dos céus!” O discurso de Jesus na encosta de um monte galileu não é, na realidade, um mero sermão. Ele mais se aproxima de um manifesto do reino de Deus.


Contudo, podemos ressaltar agora as Bem-Aventuranças (Mateus 5:2-12), que é o caráter dos cristãos do reino. Desta forma, o sermão do Monte fora aberto com tais afirmações, por parte de Cristo, sobre “bem-aventurado...” (do grego: makario"), ou seja, “feliz...”; porém, tal felicidade proferida por Jesus não se aplicava a realidade humana e egoísta, mas a uma esfera totalmente espiritual. Enfim, Deste modo, Jesus captura a atenção de seus ouvintes e insiste no caráter essencial do reino de Deus e seus cidadãos.
Ainda nas palavras de Paul Earnhart, percebemos que o mundo todo, então como agora, estava em busca, diligentemente, da felicidade e tinha tampouco uma concepção de com o obtê-la, como os homens de hoje. Não houve surpresa no anúncio de que havia verdadeira bem-aventurança no reino. O choque veio com o tipo de povo que estava destinado a obtê-la.
Desta forma, podemos destacar que a riqueza material, condição social e sabedoria secular não recebem simplesmente pouca atenção apenas, mas elas não recebem atenção nenhuma. Jesus está claramente esboçando um reino que não é deste mundo (João 18:36), um reino cujas fronteiras não passam através de terras e cidades, mas através dos corações humanos (Lucas 17:20-24). Este reino, totalmente improvável chegou, conforme anunciado, no primeiro século (Marcos 9:1; Colossenses 1:13; Apocalipse 1:9), porém muitos estavam despreparados para reconhecê-lo e aceitá-lo, assim como estão hoje.

Deve ser notado, ainda mais, que as qualidades do cidadão do reino não somente eram espirituais, mas são virtudes que o homem não receberia naturalmente. Elas não são o produto da hereditariedade ou do ambiente, mas da escolha. Ninguém, jamais, "cai" displicentemente nestas categorias. Elas não acontecem no homem naturalmente, e são de fato distintamente contrárias à "segunda natureza" que o orgulho e a ambição têm feito prevalecer nos corações de toda a humanidade.


Contudo, ao nos depararmos com tais Mandamentos (leis) para o reino, de igual forma há, em nosso país, normas de cunho moral e ético, os quais devemos seguir – sendo que este não venha contra os princípios registrados nas sagradas escrituras, pois a bíblia é a regra de fé e conduta do cristão genuíno.
Assim, o decálogo afirma que não devemos matar (Êxodo 20:12), conforme está previsto por lei em nosso país; porém, falando da lei de nosso país acerca disso, o Código Penal estabelece pena de 6 a 20 anos de reclusão para o ato de ‘matar alguém’– Art. 121 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40 – Daí não se deduz que o homicídio seja proibido no Brasil. Tanto não é que ocorre às dezenas de milhares todo ano. Nações avançadas conseguem diminuir bastante sua incidência, mas jamais erradicá-lo. Porém, segundo a visão da ‘lei humana’, somos livres até para ‘fazer o mal’, eis um fato da nossa condição. A distinção entre criminalizar e proibir pode ser útil para debater assuntos que dividem moralmente a sociedade, como as drogas e o aborto. Quando a lei fixa penas para o aborto, ressalvando casos de risco de vida para a mãe e de gravidez provocada por estupro, o seu objetivo é refrear a prática. O efeito esperado é menos mulheres recorrendo ao aborto, no cotejo com uma situação hipotética em que ele não fosse crime. Avaliar a eficácia da lei é um desafio lógico e estatístico, pois jamais saberemos como se comportaria a mesma sociedade, no mesmo tempo histórico, mas sob legislação diversa. E por que a lei brasileira não proíbe? A resposta é porque ela sabe que é impossível proibir alguém de agir em todos os momentos de sua vida. Porém, notamos, por fim, que a lei humana não proíbe, mas se fizer algo errado poderá pagar, ou não, por tal feito. Já a lei de Deus é diferente, pois além de proibir, também, nós – por sermos responsáveis (embora Deus seja soberano) – pagaremos por nossos erros.
Em suma, falando ainda sobre os Dez Mandamentos, Moisés – um tipo de Cristo – era o mediador entre Deus e o povo. Assim, antes do Eterno exigir que o povo guardasse tais regras, lembrou-lhes o seu relacionamento e as suas bênçãos. Desta forma, tal atitude deu ao povo de Deus o necessário incentivo para cumprir o seu comprometimento. Porém, vale ressaltar que nós jamais poderíamos cumprir o decálogo por completo, pois pecamos em pensamento, palavras e obras; desta forma, ao olharmos às leis (mandamentos) enxergávamos nossa própria deficiência e vida pecaminosa. Desta feita, Jesus foi aquele que cumprira a lei por completo, em nosso lugar. Cristo afirma: “Não vim para revogar, vim para cumprir” (Mateus 5:17-18). Jesus prefacia sua discussão da justiça do reino com um poderoso repúdio. Ele não veio, diz enfaticamente, para destruir a lei e os profetas. Assim, os fariseus, como um partido, representavam os mais dedicados defensores da lei, na nação de Israel. Desta forma, enquanto os saduceus se ocupavam com a política do Templo, os fariseus estudavam e ensinavam a lei do ponto de vista da tradição de seus pais. Porém, na mente de muitos da comunidade judaica, a lei de Moisés e as tradições dos fariseus eram idênticas. Teria sido causa de não pequena ansiedade entre o povo ver Jesus enfrentar continuamente esses professores instituídos da aliança nacional.
Por conseguinte, a atitude de Jesus para com as escrituras do Velho Testamento agora se torna inequivocamente clara. Porque elas eram as palavras de seu Pai, longe de serem abolidas ou subvertidas, elas são para serem cumpridas até a última minúcia e, ainda mais significativamente, ele estava para cumpri-las! Três grandes verdades emergem aqui. Jesus se prende inseparavelmente ao Deus do Velho Testamento. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó é também o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus também confirma sua absoluta confiança na integridade de cada palavra dos escritos do Velho Testamento. Eles são as palavras de Deus e qualquer um que quisesse ser seu discípulo deve ter o mesmo e elevado ponto de vista das Escrituras (Lucas 24:25-27; João 10:35). E então, ali, emerge pela primeira vez, no sermão, a espantosa grandeza do pregador. Ele há de ser o cumprimento do plano eterno de Deus, a consumação dos séculos, o ponto final de toda a História. Este não é um mero tratado ético. O sermão é grande, mas o pregador é maior ainda.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Quais são a semelhanças e diferenças entre os conceitos de Igreja de Cristo e Reino de Deus?


A Igreja de Cristo é composta de todos aqueles que foram eleitos por Deus, desde a fundação do mundo e são o corpo de Cristo (Ef 1:4-14; 1 Co 12: 12-31).

“Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:16-18).

Ou seja, aqui Cristo estava se referindo a Simão Pedro, filho de Jonas, o qual é apontado por “feliz” (do grego: makarios, bem-aventurado), pois este recebera uma revelação direta de Deus, através do Espírito Santo.
O vocábulo “eu” é enfático aqui, apontando para a autoridade de Cristo, o Filho do homem e o Filho do Deus vivo. Assim, a “pedra” é a confissão de Pedro sobre o Cristo, sendo a própria revelação. E, desta forma, a igreja está edificada nesta revelação, que vem de Deus, através da ação do Espírito Santo. Portanto, a “pedra” é a fé que procede da confissão; essa fé é a pedra sobre a qual a igreja foi fundada.
Há, porém aqueles que defendem a posição a qual afirma que Jesus usou um jogo de palavras (que há no grego como petros, ou pedrinha, fragmento de uma rocha). Cristo, entretanto, é a rocha maciça (petra), sobre a qual está edificada a igreja. Há outras mais interpretações acerca desta passagem, porém ficaremos apenas nessas duas. Lembrando que a Igreja Católica Romana usou tal passagem para criar uma grande heresia (sendo Pedro o primeiro papa, vigário de Deus).
Em Efésios 2:20-22 encontramos: “edificados sobre os fundamentos dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para o santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”. O texto mostra que este edifício é a igreja de Cristo, e, sendo assim, somente Cristo pode ser o fundamento dela (I Coríntios 3:11).
Assim, podemos lançar um questionamento acerca do tema igreja de Cristo e reino de Deus. Afinal, o que veio Jesus Cristo estabelecer na Terra, Igreja ou Reino? E quais as semelhanças, e diferenças, que há entre ambas?
Começaremos pela definição de reino de Deus. Portanto, em sentido mais amplo, compreendemos a total e absoluta soberania de Deus em relação a todos e tudo que Ele mesmo criou, governando e exercendo controle total, sobre tudo e todos (seja debaixo dos céus, seja debaixo da terra; seja sobre o reino invisível, seja sobre o reino visível). Entretanto, em sentido mais restrito, podemos apontar para o reino de Deus de forma mais soteriológico e escatológico. Em suma, a Obra da Redenção (Salvação) estabelece este reino soteriológico e escatológico, que já se manifesta, mas ainda não alcançou a sua plenitude (O reino de Deus já e ainda não; o qual já se revelou ao homem, porém não em sua plenitude).
Quanto a palavra igreja (do grego: ekklesia - a qual tem seu significado por assembleia reunida regularmente para propósitos civis), era usada para se referir à congregação dos filhos de Deus, na Septuaginta para a congregação de Israel.
Enfim, no Novo Testamento a Palavra “igreja” é usada para se referir à reunião, congregação, dos crentes em Jesus Cristo, não somente reunidos em um determinado momento, mas unidos como corpo de Cristo. Desta forma, ela designa um aspecto muito específico e de tão grande importância no Reino de Deus, que algumas vezes pode até ser confundido ou mesclado com o próprio conceito de Reino. A palavra “igreja” designa as pessoas, famílias e nações que constituem este Reino, soteriológico e escatológico, de Deus.
Ou seja, a igreja faz parte do reino, sendo parte do reino; em outras palavras, igreja é o povo que constitui o Reino de Deus, mas a palavra também comporta algumas outras significações, sempre relacionadas à ideia principal de Igreja como povo de Deus, sendo, porém, em seu sentido mais amplo a totalidade do povo que Deus redimiu em Jesus Cristo, do princípio ao fim da História da Redenção, sendo aqueles o qual estão espalhado entre as nações, em distinção da Igreja que está nos Céus, aguardando a sua ressurreição e retorno com Jesus Cristo, para seu reinado visível na Terra; estes, por sua vez, podem também ser apontados como aqueles que se reúnem regularmente para a pregação da Palavra de Deus e celebração apropriadamente da Santa Ceia, sendo, por sua vez, batizados em nome de Jesus Cristo, guardam o Dia do Senhor, cultuam, participam da santa ceia etc.

Por conseguinte, a Igreja é o Reino “Invisível”, pois Jesus Cristo – que é o rei – está invisível; sua pátria e cidade são celestiais – estão por vir, sendo novos céus e nova terra; sua armadura é espiritual; seu poder é o Espírito Santo; sua maior herança é o Senhor.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Existência pré-encarnada de Jesus Cristo




A priori, quando nos referimos a existência pré-encarnada de Jesus Cristo logo vem à mente a passagem do Apóstolo João (Jo 1:1-3) o qual é rico em seu relato, sendo direto e, ao mesmo tempo, profundo – refutando a ideia clássica greco-romana do “logos” (do grego, traduzido por: palavra, ou em algumas versões por “verbo”).

“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito”. (NVI)


Tal passagem faz referência direta à Gênesis 1:26, que diz:

“Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.

Há teólogos, que entendem tal verbo no plural “façamos”, como plural de majestade; porém, em minha interpretação, assim também apoiado por muitos outros teólogos, entendem se tratar da prova da trindade – conforme fora empregado por Tertuliano (pai da igreja) no ano 190 AD – no momento da criação, dando a entender que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo participaram de tal feito – sendo uma prova da existência pré-encarnada de Jesus Cristo, o qual João faz menção logo na abertura de seu evangelho.
Em suma, entendemos que Jesus existia antes de nascer como homem (nascido da virgem Maria, gerado pelo Espírito Santo – conforme os evangelhos apontam em: Mt 1:18-24; Mc 1:1; Lc 2:1-40), antes mesmo até da criação do tempo, do mundo, do homem.
João ainda continua descrevendo sobre Cristo (logos) – Jo 1:14, que diz:

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade”.

Prosseguindo mais um pouco nas escrituras, encontramos o apóstolo Paulo declarando a pré-existência de Cristo em Colossenses 1:15-20, que diz:

 “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele [em Cristo] foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é o cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nela habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz”.

Nessa passagem fica mais do que claro a ideia da pré-existência de Jesus, assim afirmado por João, e agora reafirmado por Paulo.
Por conseguinte, podemos apontar evidências da pré-existência de Cristo em:

ü  Seu nascimento – Se Cristo veio a existir em seu nascimento, então, não existe uma Trindade eterna – e isso iria contra a doutrina bíblica que é o cerne do Cristianismo;

ü  Sua divindade – Se Cristo não era preexistente, então, não poderia ser Deus – seria uma criatura, não o Deus Filho (tal pensamento fora visto pelos gnósticos e outras seitas pagãs que surgiram ainda no meio da igreja primitiva, muito criticado por Paulo e Pedro);

ü  Suas declarações – Se Cristo não era preexistente, ele mentiu a respeito de quem ele era e, consequentemente, possivelmente teria mentido também sobre outros assuntos; assim, estaríamos condenados, pois não haveria salvação para nossos pecados e os apóstolos teriam morrido por uma mentira, assim como os pais da igreja, mártires etc., além do próprio Cristo de ter morrido, supostamente, por uma mentira;

ü  Sua origem celestial – Versículos se referem à existência de Cristo antes do nascimento (Jo 3:13,31);

ü  Sua obra na criação – Cristo estava envolvido na obra da criação, sendo anterior a ela (Jo 1:3; Cl 1.16; Hb 1:2);

ü  Seu relacionamento com Deus – A Bíblia afirma que Jesus tem a mesma natureza de Deus (Jo 10:30; Fp 2:6) e que possuiu a mesma glória do Deus Pai antes de o mundo existir (Jo 17:5);

ü Seu relacionamento com João Batista – João Batista reconhece a existência de Jesus antes de ele vir a existir, mesmo tendo ele nascido antes do Jesus encarnado (Jo 1.15,30).