quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a relação entre o Evangelho, a Justificação Divina e a Ética (Prática) Cristã em Romanos?



Como fora aprendido nas aulas de Análise Bíblica de Romanos, o tema central desta carta é o Evangelho – do grego: euangelion – ao qual tem por definição “boas-novas”, ao qual notifica a revelação da justiça de Deus, uma justiça conquistada pelo Cristo e recebida unicamente por fé (1:16, 17); necessário a todos – tanto judeus como gentios (capítulos 1 – 3); isto também inclui Abraão – o pai da fé (capítulo 4), os benefícios dos que recebem absolvição, a imputação desta justiça e os benefícios da justificação (capítulos 5-8), a soberania de Deus (capítulos 9-11), e o viver condizente com o Evangelho da justiça de Deus (capítulos 12-16). Em suma, a justificação pela fé e as consequências práticas para a vida cristã.
Temos como autor o próprio apóstolo Paulo, mas tento em Tércio como seu escriba, ao ajudador (Rm 16:22); notamos a história do plano de redenção de Deus, ao qual é revelada através de Jesus, anunciando a justa ira de Deus contra o pecado e a provisão divina.
Assim, não podemos deixar de mencionar que Paulo fora o vaso escolhido por Cristo glorificado para levantar a igreja gentílica, revelando a todos os homens qual é a vontade de Deus por meio de sua igreja.
Esta carta está dividida em duas grandes partes:

Capítulos 1 – 11 (Parte Doutrinária)            
Capítulos 12 – 16 (Parte Prática)

Após a introdução feita por Paulo (1:1-17). Esta se inicia, a partir de 1:17 a 3:20, com uma clara exposição a corrupção e depravação total do gênero humano – em todos os sentidos de seu âmago –, na qual, toda a humanidade caída está sob a ira de Deus, de um Deus que é justo, e, por ser justo, necessita, assim, o homem ser condenado por seus pecados (Rm 3:23):

“ Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

Assim, a provisão divina: a justiça de seu Filho Jesus (3.21-5.21), concretiza-se através de um plano de redenção perfeito e infalível, ou seja, a morte de Cristo, ao qual se doou para resgatar a humanidade da ira condenatória, do domínio do diabo e da escravidão do pecado.
Somente através da justificação, podemos ter paz com Cristo (6.1-8.39), e, como isso se dá? A resposta pode ser, também, encontrada em Efésios 2:8-9, que diz:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

E, por fim, encontramos a soberania e a fidelidade de Deus (9.1-11.36), ao qual fecha esta parte denominada “doutrinária”.

A segunda parte, tida como parte prática, inicia-se no capítulo 12, ao qual encontramos: O modo de viver compatível com a justificação pela fé (12.1-15.13). E como isso se dá? Através da conduta do cristão ideal:

ü  Dedicação verdadeira, base de toda a ação moral (12:1-2);
ü  Uso dos dons espirituais, mediante o amor (12:3-13);
ü  Amor aos inimigos (12:14-21);
ü  Submissão às autoridades constituídas (13:1-7);
ü  O amor cumpre a lei (13:8-10);
ü  O cristão e a vigilância (13:11-14);
ü  O amor cristão relativo à liberdade cristã e questões de consciência (14:1-23);
ü  O altruísmo cristão (15:1-12);
ü  Oração de Paulo pelos crentes romanos (15:13);
ü  Conclusão da Carta (15:14 – 16).

Enfim, fica-nos evidente a ética nos relacionamentos, tanto com Deus, como conosco, nosso próximo e autoridades. Assim, temos:

ü  Com Deus: consagração da vida e transformação da mente;
ü  Conosco – Eu/Ego: equilíbrio de si mesmo a partir da compreensão da graça de Deus;
ü  Com o nosso próximo: onde nosso caráter é moldado;
ü  Com as autoridades: onde estabelece obediência.

 Por conseguinte, fica-nos evidente que o apóstolo Paulo declara que o cristão demonstra que recebeu tal justificação, por intermédio do novo nascimento, quando realmente ele morre com Cristo e para o pecado; isto se dá, quanto este novo nascido tem uma atitude de arrependimento genuíno, e sua vida resulta na prática da santidade e amor em todos os aspectos, seja eles em seus relacionamentos (convívio social), moral e espiritual; claro, tendo como primordial a obediência a Deus. Deste modo, entende-se por justificação, não apenas aspectos de salvação, mas, também, este deve causar repercussões sobre os relacionamentos deste indivíduo. Ou seja, A justificação proporcionada por Cristo, não só produz salvação, produz também uma vida cristã em que nossos relacionamentos são aprimorados.
Enfim, Deus exerceu sua misericórdia, aquele homem errôneo ao qual ele elegeu, o seu eleito, ao qual era morto em seus delitos e pecados. Assim, Deus o regenerou, abriu-lhes os olhos e ouvidos, pois só depois disto este teria vida e poderia se arrepender e ter fé; desta forma, o morto, agora vivo, é justificado – adotados por Deus. Desta forma, este homem não deve viver para si mesmo, apenas, mas para Deus e seu próximo.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Como a revelação messiânica de Isaías influencia nossa visão da pessoa e missão de Jesus?





Isaías é considerado o “teólogo dos teólogos”, o “teólogo da promessa” e “profeta messiânico”. Em seu livro, Isaías profetiza a respeito do povo de Deus, Israel e Judá, mas, também, aponta para o messias – o Cristo.
Assim, Deus manifesta, de forma surpreendente, Sua Glória e chama seu profeta. Com isso, Isaías é convocado a pregar a um povo resistente, duro, onde somente alguns darão ouvidos.
Ao nos depararmos, no entanto, com este escrito do século XVIII a.C., percebemos o quão fiel e zeloso é nosso Deus, ao cumprir o que prometera; muito tempo antes do próprio surgimento do Messias, Deus já vinha revelando tal feito. Enfim, cremos no Deus que promete e cumpre.
Entretanto, como profeta messiânico, Isaías aponta para um futuro onde viria o libertador e salvador. Assim, em alguns capítulos encontramos menção ao Messias, são eles:

ü  Capítulo 9: o advento e o poder do Messias;
ü  Capítulo 11: o reino do Messias é pacífico e próspero;
ü  Capítulo 32: o reino de justiça – promessa messiânica;
ü  Capítulo 32: a importância e profecia do reino de justiça, ao qual aponta diretamente para o Messias.
ü  Capítulo 35: aponta a Sua grandeza e glória;
ü  Capítulo 42: Ele é citado como o Servo do Senhor;
ü  Capítulo 49: o Servo do Senhor é a luz dos gentios;
ü  Capítulo 52 e 53: o Servo Sofredor é o Messias;
ü  Capítulo 61: a salvação é proclamada através do Messias; Cf. Lc 4:18,19 – Pregação em Nazaré.

Em suma, a revelação messiânica de Isaías influencia, e muito, em nossa visão da pessoa e missão de Jesus. Uma vez que fortalece a premissa de que Deus abre os olhos de seus eleitos e, de igual forma, endurece os corações daqueles que não o são. Por tal motivo, não poderíamos dizer que as pessoas, no tempo de Cristo, foram pegos de surpresa, desavisados, etc., uma vez que o próprio Deus já o revelara.
Notamos, assim, que os doutores as leis possuíam os escritos do profeta Isaías, por exemplo; estes meditavam nestas palavras, mas não enxergaram quando o Messias estivera frente a frente com eles. No entanto, desejavam e esperavam, e ainda desejam e esperam, um Messias de guerra, um líder, um rei – Cristo o foi, mas não no âmbito carnal e terrestre, mas no âmbito espiritual, onde Seu reino não é desse mundo.

Por conseguinte, ao nos depararmos com o AT em geral, maravilhamo-nos com as promessas feitas por nosso Deus, ao qual se cumprira na pessoa de Cristo Jesus, ao qual viera a este mundo, fora perseguido, humilhado, desprezado e, assim, Ele levou sobre Si todos os nossos pecados. O Deus encarnado, o qual pagara com sangue uma divida que era toda nossa – o pecado que nos conduziria a morte.